sexta-feira, 13 de março de 2015

Bata & Batom &... Birthday Present!

Hoje, fui desafiada por alguém alheio à blogosfera a dedicar algumas palavras à BB, autora do blogue Bata & Batom, no dia do seu aniversario. Este é um pequeno mimo com o qual quero presentear e parabenizar esta tão especial cidadã da blogosfera, merecedora dos mesmos amor e alegria que a definem e caracterizam.

Pois então hoje é dia de cantar os parabéns à menina do Bata&Batom! E eu, como boa serva da blogosfera que sou, é óbvio que tinha que participar nesta corrente!

Antes de mais, quero agradecer a quem se lembrou de me pedir ajuda neste dia tão importante, fico muito feliz por participar e tornar o dia da BB um bocadinho mais especial.

Passando ao que interessa... Eu gosto MUIIIIITO de ler a BB, e quando digo muito é mesmo muito! Se bem se lembram, o meu último post foi uma resposta a um desafio que ela me colocou (para aí em 1927 mas não interessa, o que importa é que cumpri porque sou pessoa de palavra!). Este foi o primeiro desafio que alguém me colocou na blogosfera e eu fiquei muito surpreendida por ela se ter lembrado de mim e me ter desafiado a participar. Isso só pode querer dizer que ela é boa pessoa, certo? Correctíssimo! :)

E agora dirigindo-me directamente a ti, BB, espero que, apesar de ser sexta-feira 13, tenhas um óptimo dia, repleto de amor e carinho! Adoro o teu blogue e sigo-o com regularidade. Adoro o que escreves e saber que também estás em Medicina faz-me sentir uma espécie de ligação contigo!

Parabéns por todo o trabalho que tens desenvolvido, parabéns pelo blogue fantástico e, sobretudo, parabéns por este dia! E que os restantes bloggers continuem deste lado a acompanhar o teu sucesso e crescimento!

Parabéns!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Ora então vamos lá a isto

E porque eu, não sendo muito assídua nesta coisa dos blogues, sou pessoa que gosta de cumprir a minha palavra, venho participar neste desafio que a menina do blogue "Bata&Batom" me colocou a mim e a mais uma data de bloggers em SETEMBRO... Sim sim, crucifiquem-me, isto já não faz sentido nenhum, mas a minha vida é assim mesmo, uma imprevisibilidade.

Ora então aqui vai:

1. O que mais gostam/odeiam em ter um blog?
Gosto particularmente do feedback positivo que tenho recebido, dos vossos comentários e e-mails sempre queridos. Não há nada no blogue propriamente em si que eu odeie, a única coisa que gosto menos é não ter tempo para me dedicar a ele tanto quanto queria. Isso deixa-me verdadeiramente frustrada.


2. Os vossos familiares e amigos conhecem o vosso blog? Se não, porque não?

Apenas a minha mãe. Até agora quis manter isto em segredo, mas acontece que alguns colegas do meu ano descobriram o espaço e toca de contar a muita gente. Essa é também uma das razões pelas quais não o tenho actualizado tanto, isto de saber que pessoas conhecidas o lêem é algo que me deixa pouco à vontade.

3. Se tivessem de fazer uma crítica (boa ou má) ao vosso blog, o que diriam dele?
Falta de actualização que eu gostaria que fosse diária, ou quase diária.

4. Se te pedisse para criticares o meu blog o que dirias?
Criticar? Diria antes apenas adorar! :)

5. Tens algum blog que te sirva de inspiração?
Apesar de escrever maioritariamente sobre o meu curso, até porque foi essa a inspiração para o criar, a verdade é que sou rapariga e tenho outros interesses para além da Medicina e dos livros. Também gosto muito de ver blogues de moda, arte, culinária e blogues de generalidades. Sou um pouco consumista nesta coisa dos blogues e vicio-me facilmente em novos blogues.

6. O que é mais importante para ti para se ser um/uma bom/boa blogger?
Essencialmente, saber escrever. Se há coisa que me faz perder interesse num blogue é mau português.

7. Gostavas de fazer do blog a tua profissão? 
Já trabalhei algumas vezes vendendo textos e escrevendo em sites, mas a verdade é que sinto que não tenho tempo suficiente para me dedicar ao blogue ao ponto de ele poder tornar-se rentável de alguma forma. Além disso, o meu objectivo sempre foi o de divertir-me e partilhar as minhas experiências.

8. Gostavam de conhecer algum/alguma Blogger pessoalmente? Quem?
Gostava de conhecer todos cujo blogue visito! E são muitos.

9. Se pudessem escolher um post do vosso Blog para o Sapinho destacar, qual seria?
Um dos textos que mais gostei de escrever foi, sem dúvida, o "Expedição aos Produtos de Limpeza".

10. Qual o teu prato preferido? 
Lasanha. E Pizza. E Feijoada. E Sushi. E Frango. E Bolonhesa. Já falei em Pizza? Sou um bom garfo, como tudo excepto kiwis e iscas de fígado!

11. Se pudessem pedir algo ao Pai Natal, o que seria?
Primeiro, pedia que todas as pessoas que amo, em particular os meus pais e avós, vivessem para sempre. Segundo, o Euromilhões. Em terceiro, terminar o terceiro ano com sucesso. Emagrecer uns quilinhos também não fazia mal nenhum!



E agora as perguntas extra:

1. Tens algum vício? Se sim, qual?
Comida! E o telemóvel, não vivo sem ele.

2Consideras-te romântico(a)?
Bastante, mas o meu mais que tudo saberá responder melhor do que eu.

3. Se não pudesses ter ambos, qual escolherias: computador ou telemóvel?
Telemóvel. De preferência smartphone, para servir de telemóvel e computador!

4. Qual a divisão da casa de que gostas mais? Porquê?
O meu quarto, porque é o meu espaço, o local que me traz paz e onde eu gosto de estar. A cozinha também é igualmente importante porque é lá que está... o frigorífico! Já deu para perceber que gosto muito de comer?

5Qual o momento mais engraçado da tua vida?
Não há um momento em particular, há varios. Mas a minha vida, em geral, é engraçada, quanto mais não seja pelo simples facto de que tudo o que eu planeie nunca resulta e termina sempre de outra forma diferente!

Espero que tenham gostado deste espaço de partilha e, mais uma vez, obrigada à menina do "Bata&Batom" pela nomeação! E um enorme pedido de desculpas, mas não poderia falhar esta promessa!

Sobre o primeiro trimestre

Foi duro, muitas lágrimas derramadas, muitas horas sentadas na cadeira e, como resultado, um traseiro enorme também. Nada que não se resolva, só é preciso vencer a inércia e a lontra que existe dentro de mim.

Este segundo trimestre tem sido mais calmo mas, mesmo assim, trabalhoso em termos de carga horária, e o volume de estudo para os testes vindouros também tem sido... interessante, vá.

Eu sei que o ano já começou há mais de um mês, mas este é o primeiro post de 2015, pelo que não é descabido desejar-vos Feliz Ano Novo! Que este ano cumpra todos os vossos desejos e aspirações (etc etc, a lenga-lenga do costume, mas prometo que vai do fundo do coração).

Na próxima semana inicia-se o estágio de cirurgia, e estou ansiosa para ver o que o hospital da cidade mais alta de Portugal me reserva. Depois conto.

Até lá, boa semana!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre Cardio

A professora é gira nas horas. Diz que tirou o curso cá, teve um notão no Harrison e é directora de Cardiologia em Vila Real. O único senão é que nos obrigada a ficar as 4 horas a ouvi-la. Buuuuh!

O professor é um amor, meio corcunda e gago. É o big boss cá do sítio, dizem eles. Manda umas piadas engraçadas , gosto dele.

O meu coração divide-se entre ficar em casa a estudar Farmacologia ou ir às aulas destes senhores.

Decisões, decisões.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Karma 3.0

Quis o destino que eu não passasse dois meses sem actualizar este espaço. A falta de tempo e, confesso, de vontade também, que situações caricatas é o que não falta por estes lados, levaram ao inusitado desleixo. Apresento as minhas desculpas desde já.

Dizia eu que quis o destino que eu viesse cá. Se se lembram deste e deste post, todos os anos há alguma maleita física que me assola, alguma desgraça ao melhor estilo de uma tragédia grega. Ainda não ganhei imunidade a estas coisas.

Pois bem, acontece que na passada semana fui atropelada num pé. Ainda pensei em dramatizar um pouco mais a frase acrescentando mais pontos finais e fazendo pausas entre as palavras "atropelada" e "pé", contudo, nao é meu objectivo assustar-vos, caros amigos e leitores. A situação resolveu-se em 3 horas na urgência, confirmando que tudo não passou de um susto e um pé bem negro e dorido que ficará cuidadosamente enrolado em ligas elásticas e ligaduras brancas durante uma semana.

Tudo aconteceu numa manhã em que íamos quatro colegas no carro, atrasadas para variar, e entre o parar na berma da estrada, o "saiam que estão atrasadas e eu vou estacionar o carro, guardem lugar para mim", a pressa e uma queda fatal de uma mala ao chão, a colega condutora não se apercebeu que eu estava baixada a apanhar a mala desmaiada, com o pé à frente da toda traseira do carro. Arrancou a todo o gás, parando imediatamente perante os meus gritos histéricos a implorar que fizesse marcha atrás, e depressa que o meu pé estava preso. Já diziam os entendidos que quanto mais depressa mais devagar.

Prevê-se uma recuperação rápida e não indolor, nada que não se resolva com uma boa dose de analgésicos.

Quanto às novidades da vida académica, prometo esforçar-me mais para vos actualizar mais frequentemente.



PS 1: à menina do Bata&Batom, mil desculpas porque me lançou um desafio que eu, com tanto tempo sem cá vir, já não sei qual o desafio que me colocou.

PS 2: A vida não está fácil com três disciplinas da pesada ao mesmo tempo até Dezembro, contudo, o e-mail está sempre ali ao lado para quem quiser ser simpático e dar uma palavrinha de incentivo :)

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Primeiras reacções ao terceiro ano

A primeira semana foi calma, aliás, até já acabou e eu estou de volta a casa. Apenas duas apresentações e duas aulas de farmacologia preencheram esta semana. Foi uma forma leve de iniciar aquele que é conhecido como o pior ano do curso.

A partir de agora vai ser a doer, com muitas aulas, muitos testes, muita coisa para fazer e, sobretudo, estudar. Dizia-nos ontem a coordenadora durante a apresentação: "Meus senhores, o terceiro ano não é o bicho de sete cabeças que os vossos colegas vos pintaram... Mas é duro. Vai ser duro. Preparem-se.", tudo isto com uma voz muito sombria, que se esfumou no minuto seguinte quando nos deu uma receita de sopa, que nós nesta fase do campeonato vamos precisar de uma excelente nutrição, diz ela. Ainda foi simpática o suficiente para dizer que a receita que colocou no powerpoint era muito elementar, e até os caloiros do primeiro ano a conseguiriam fazer. Acrescentou ainda "Mas se os senhores quiserem cozinhar algo mais rebuscado, enfim, eu posso perfeitamente fornecer-vos mais algumas receitas com todo o gosto! Não podem é ser muito demoradas que os senhores não têm tempo para grandes cozinhados porque vão ter muito que estudar". A senhora tem umas piadas muito curiosas. Um dia destes ainda lhe ofereço um guisado.

Aproveitei estes dois dias para passear pelo monte e subir até à Serra da Estrela, apenas para concluir que não conheço nada daquilo e é verdadeiramente triste que seja o meu terceiro ano lá e não saiba sequer ir para o centro da cidade. Adiante.

Já gastei quase a mesada toda do mês de Setembro em livros e fotocópias, por isso podemos considerar que as coisas começaram bem. Insiram a ironia aqui.

Consegui realizar auto-controlo e estou estranhamente calmíssima, com o estudo organizado e sem grandes stresses. Este ano tenciono que corra ainda melhor que o segundo ano, que correu bastante bem e superou as minhas expectativas. Se, por ventura, nada disto acontecer e eu entrar em modo de destruição cerebral, pelo menos tenho o hospital psiquiátrico anexado à faculdade. Nem tudo é mau.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Não gosto do que vejo

As aulas começam no dia 8 e o horário está, lentamente, a ser publicado na intranet. Para já, não gosto do que vejo. Está ligeiramente melhor que o do ano passado, mas ter testes quase todas as segundas-feiras às 9h e aulas às sextas-feiras até às 19h e 20h é algo que não me agrada. Nunca passei um fim-de-semana no monte e assusta-me (muitíssimo) a ideia de que isso possa ser uma realidade tão próxima.

Modo manter a calma: activado (e não funciona).

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Só uma duvida

Por que razão a maioria dos meus colegas começam as aulas nos dias 15 e 22 de Setembro e eu já estou a dar no duro a partir de dia 8?

Eu ainda preciso de férias!

domingo, 17 de agosto de 2014

O médico que salvou a minha mãe

Achamos sempre que a tragédia não nos atinge, que a desgraça bate sempre à porta do vizinho. A nós, nada nos acontece. Aos outros, coitados, vai acontecendo.

Até que chega a nós. Quando menos esperamos, quando não achamos possível que suceda, o horror bate-nos à porta de mansinho. Tal como aqueles convidados ao Domingo à tarde que aparecem à nossa porta para lanchar e interrompem o serão da lareira e cobertores. Mas a tragédia, essa, não traz o lanche, não traz alegria, apenas tudo aquilo que "só acontece aos outros".

Eu já lhe abri a porta. Em 2012 a minha mãe teve um aneurisma. Rebentou. Inundou o cérebro dela de sangue, um cenário dantesco na TAC. Meses de internamento, comas, induzidos e não induzidos, cirurgias daquelas que achamos que só acontecem nos filmes. Um cenário perturbador, que ainda hoje me causa espécie quando nele penso.

A minha mãe sobreviveu. Sem sequelas. Apenas um aumento absurdo de dioptrias e uma diminuição de memória e concentração. Assim, como se nada lhe tivesse acontecido, sobreviveu. Ficou bem. Está bem. Está comigo.

Neste processo que durou meses vários médicos estiveram envolvidos, mas um em particular foi marcante e crucial no processo de recuperação. Esse médico é amigo da família há vários anos. Desde que me lembro que me encontro com ele, vamos tomar café, conversamos como amigos, mesmo com a diferença de mais de 30 anos entre os dois. Um verdadeiro amigo que ajudou a salvar a vida da minha mãe.

Hoje foi a ele que lhe bateram à porta. A filha, encontrada sem vida. Derrame cerebral. Pouco mais velha que eu. O horror. Fico sem palavras nestes momentos.

Este ano está particularmente devastador a ceifar vidas. Vidas de jovens, com tanto pela frente, como eu, como tantos outros.

Não é justo. A ele, a vida deixou de lhe sorrir. Não voltará a sorrir, sequer.

"Não sei o que vou fazer com a minha vida agora".

Não lhe soube responder.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Festival Meo Sudoeste

Começa hoje e eu estou em pulgas! Perdoem a falta de actualizações, mas este verão está a ser tão bom que eu quase não tenho tempo para vir aqui :) 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Vejam isto!

Aqui, a partir do minuto 29, e depois digam lá se não conhecem esta personagem de algum lado!

:)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A miséria não tira férias

Estamos, eu e os meus pais, de férias, como é nosso hábito nesta altura. Não somos pessoas de grandes luxos, e a nossa carteira também não nos permite tal coisa, mas, apesar de todas as contrariedades da vida, temos tentado, todos os anos, vir passar uns dias fora. Faz-nos falta o calor e os dias longos de praia, coisa que, onde moramos, acontece meia dúzia de vezes durante o Verão. Viver no Norte tem destas coisas.

Um dia destes fomos dar um passeio à noite, visitar o centro da cidade, ver a animação nocturna e o regabofe típico das noites quentes e abafadas. O povo todo na rua, os cafés que se estendem até ao mar, artistas de rua cantando um flamengo, meninas em trajes menores que nos tentam persuadir a ir até determinado bar, são coisas comuns que aqui se veem, e é impossível não gostar disto, deste descanso, desta despreocupação que baixa em nós durante as férias.

Enquanto passeávamos não pude, porém, deixar de reparar num homem sentado no chão encolhido, alheio à confusão à sua volta, com um pedaço de cartão arrancado de uma caixa de pizza gordurenta que alguém deitou fora e que dizia “Não tenho trabalho”. Que murro no estômago. Tudo à nossa volta em festa, e o homem, envergonhadíssimo, com um cartão e um copo a pedir esmola.

A minha vontade era de abrir a carteira e dar-lhe todo o dinheiro que tinha que, não sendo muito, certamente era mais do que ele via há muito tempo e dizer-lhe que vai tudo correr bem, que às boas pessoas a sorte não tarda em chegar. Saber que ele é boa pessoa é apenas um daqueles muitos instintos que o ser humano tem. Dei-lhe todas as moedas que tinha e recebi de volta o maior sorriso de gratidão e um “obrigado” sincero como há muito não ouvia. É tão simples fazer alguém (um pouco mais) feliz.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Revolução

Já há alguns tempos para cá que tenho notado em mim uma decrescente vontade de dissertar neste blogue sobre os assuntos que o originaram, isto é, os relacionados com a Medicina e a minha vida como estudante deslocada, e uma vontade que se comporta de forma inversa, entenda-se aumenta, de falar mais sobre as coisas do dia-a-dia, aquelas coisas mundanas pelas quais todos passamos e sobre as quais me apetece escrever aqui. Não quero com isto dizer, como é obvio, que a vontade de vos falar da minha vida de estudante desapareceu, tal não aconteceu, mas a verdade é que ultimamente me tenho visto em situações mais comuns dignas de serem registadas por escrito e partilhadas com os meus queridos leitores. Falar sobre livros, sobre as férias, enfim, sobre aquelas coisas que a maioria dos blogues já fala, parece algo imprudente para quem, como eu, criou um blogue com um tema definido, que era o de falar sobre Medicina. Contudo, sinto que ultimamente me tenho repetido e, além do mais, começam a escassear os assuntos interessantes e divertidos durante a época de férias. Certamente em Setembro terei muitos e divertidos novos assuntos sobre os quais falar, mas por agora, e perdoem a repetição, escasseiam.

Posto isto, quero apenas informar-vos de que vou aumentar os espectro de assuntos abordados por aqui, esperando que gostem e que continuem a fazer parte deste meu pequeno mundo.

A revolução ideológica começa agora, a visual virá mais tarde.

sábado, 19 de julho de 2014

O 3º ano

O 2º ano mal acabou e eu só me consigo concentrar no terceiro que aí vem. Defeito meu, que sofro por antecipação, que me preocupo com as coisas que só vão acontecer daqui a muito tempo.

O terceiro ano é assustador. Desde que cheguei a esta faculdade que não houve um único dia em que não tenha ouvido discursos do género:

"Espera até chegares ao terceiro ano";
"O terceiro ano é que é f*dido";
"Se te preocupas assim agora, quando chegares ao terceiro atiras-te da ponte";
"Quanto tiveres que estudar os fármacos todos vais ficar tola";

Queria conseguir desligar, com a certeza de que, se outros já o fizeram antes, também eu sou capaz. Afinal, eu já concluí, com sucesso, dois anos do curso de Medicina. Caramba, isso deve querer dizer que, afinal, não sou assim tão burra quanto penso.

Mas depois olho para as estatísticas e verifico que 1/4 do actual terceiro ano chumbou. Bons alunos, alguns até, provavelmente, melhores que eu, que enfrentaram o monstro e não venceram, foram comidos vivos pelas negativas, pelas reprovações, pela vergonha que é ter que assumir "Eu chumbei". E sinto-me pequenina, ansiosa, assustada, sem vontade de enfrentar o que aí vem e ficar de férias para sempre.

Que medo que tenho.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre o Verão

Quando acabam as aulas e começam as férias, eu fico com uma sensação de vazio dentro de mim, como se a minha existência deixasse de fazer sentido. O ritmo que nos é imposto desde Setembro, os testes e sessões de estudo em catadupa, as horas intermináveis sentadas à frente da secretaria e toda a correria e stress dão lugar à paz, ao descanso, ao não ter que fazer viagens semanais, ao ócio, e que bem que isto sabe.

Este ano, contudo, ao contrário do ano passado, decidi que as coisas iam ser diferentes. No ano passado passei o verão inteiro a ressacar do estudo e a descansar o máximo que podia mas, chegada a Setembro, concluí, com muita tristeza, que não fiz nada do que me tinha proposto fazer durante o verão. Queria ter lido mais, visto mais filmes, passeado mais, feito exercício, mas acabei por passar o verão com o rabo alapado na areia ou no sofá, a vegetar e desculpando-me com o facto de que "este ano estudei muito, agora preciso de descansar".

Este ano vai ser diferente. Por isso não tenho actualizado muito isto aqui. Conto com apenas uma semana de férias, mas neste pouco tempo aproveitei para fazer exercício todos os dias, visitei restaurantes na baixa que estavam na lista, fui ao cinema, passei um dia fora da cidade, fui a praia quase todas as manhãs e iniciei a leitura de um livro de Saramago. Pelo caminho voltei desgraçadamente ao meu vício de teenager, jogar Sims (eu sei, vergonha, mas eu tenho um problema), e tenho ficado até às tantas colada ao computador. Não devo, bem sei, até porque já começo a sentir o efeito de ir dormir tarde e acordar cedo para ir à praia. Vou tentar não abusar tanto esta semana.

Cheira-me que este vai ser um verão em grande. Para já, estou entusiasmada. A ver se assim se mantém.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Balanço do segundo ano

Tal como fiz o ano passado, com o término do segundo ano chega a altura de fazer o balanço do mesmo. Fiquem então com o resumo daquele que foi, até agora, o ano mais cansativo da minha vida.

Segundo ano de Medicina: Concluído;

Cadeiras deixadas para trás: nenhuma (não sei se já vos disse, mas deixar uma cadeira para trás nesta faculdade significa chumbar de ano e ficar um ano inteiro a fazer a cadeira que falta);

Cadeira preferida: Bloco de Cardio-Respiratório;

Cadeira preterida: Bloco de Aparelho Digestivo (ainda detestei mais do que Nervoso no ano passado, imaginem lá);

Horas desperdiçadas: Não muitas, infelizmente este ano não tive muito tempo para procrastinar, coisa que adoro;

Horas passadas a estudar: Demasiadas. A má organização do ano implicou estudo no dia de Natal, dia de ano novo, Páscoa, etc. Acho, sinceramente, que não houve um único dia em que não pensasse nos livros, para minha tristeza;

Professor/a preferido/a: O Cavaco (pasmem-se! Mas acabei por desenvolver um certo afecto pelo senhor);

Professor/a preterido/a: Isabel Neto... (Nunca vos falei dela mas a mulher é simplesmente desprezível);

Professor/a mais giro/a: Nenhum. Constata-se que este ponto continua igual ao do ano passado. Cheira-me que continuará assim até ao final do curso, com grande pena minha;

Professor/a mais feio/a: Todos? Esta faculdade não prima, definitivamente, pela beleza dos seus docentes.

Este ano foi, como já disse várias vezes, cansativo, exaustivo, e por vezes emocionalmente complicado. Apesar de já andar nestas andanças há dois anos, por vezes uma pessoa vai abaixo, só quer ficar em casa e deixar de fazer estas viagens de 270km todas as semanas. Esta vida itinerante não é fácil, mas gosto de pensar que já só faltam 4 anos e que o pior já passou.

Aguarda-me o terceiro ano, aquele que todos temem, o ano da morte, dos reprovanços em massa, das quedas de notas a pique, do "salve-se quem puder".

Por agora vou aproveitar as férias, descansar, e em Setembro logo se pensa nisso.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Coisas que gosto... #6

Eu sou uma pessoa que adora comer. A minha vida é vivida em função da minha próxima refeição e eu até acho que sou um bom garfo. Como de quase tudo, só não gosto de tripas, iscas de fígado e kiwis. Não sou picuinhas, portanto, e tudo o que vem à rede, neste caso ao prato, é peixe. Tragam-me uma feijoada, uma francesinha ou uma posta de bacalhau com todos, comigo vai tudo.

Gosto especialmente de fruta. Tenho vindo a melhorar os meus hábitos de ingerir fruta todos os dias, e agora não há um dia que passe em que eu não coma, pelo menos, duas ou três peças de fruta. Excepto kiwis, coisa que detesto.

O que é que a fruta tem a ver com a Covilhã? Não muito. Tem mais a ver com o Fundão, em especial com as CEREJAS. E senhores, que boas que são as cerejas do Fundão! Gordas, sumarentas, rechonchudas, daquelas que pingam na camisola e a estragam para todo o sempre mas nós não nos importamos, que perdoamos o mal que fez pelo bem que soube. Nesta altura é ver-me a correr feita doida para a frutaria em frente à minha casa e a devorar as cerejas. Mas não só, ele é as cerejas, os figos, que também são bem bons, e tudo o que esteja colorido e reluzente na prateleira.

Descobri há uns tempos uma coisa ainda mais maravilhosa que tem vindo a estragar a minha dieta saudável de fruta. Como se já não bastasse a frutaria vender aquelas maravilhosas cerejas, agora durante o dia decidiram vender pastéis de cerejas quentinhos, acabados de fazer no seu forno. É isso mesmo, de vez em quando, a umas certas horas do dia, lá sai uma fornada de pastéis quentinhos e vermelhinhos a transpirar açúcar. O que eu me tenho desgraçado, na balança e na carteira, que a vida não está fácil e um euro por um pastel acho que até é um valor relativamente elevado. Mas eu perdoo, eles vêm quentinhos e são tão mas tão bons!





quarta-feira, 2 de julho de 2014

A minha vida é uma animação

Como já perceberam, tudo o que eu faço tem sempre alguma contrapartida. É a Lei de Murphy aplicada exclusivamente a mim, o karma da minha vida, não há nada que eu faça ou diga que não seja compensado no mesmo grau, mas negativamente.

Hoje fui fazer o exame, desta vez no dia correcto, à hora correcta. O exame correu bem, obrigada.

Saí do exame, com o tempo nublado, mas um calor tórrido de cortar a respiração, e dirigi-me para a subida a pique mais mortífera que conheço.

De repente, senti como se um balde de água gelada tivesse sido despejado sobre mim. Não foi, mas a diferença não foi muita. Às 15h30 em ponto ligaram os aspersores do jardim que existe à entrada da faculdade e eu, que por lá passava, levei um valente banho e ainda ouvi pessoas a rirem-se de mim.

Primeiro: Por que razão os aspersores estavam a regar a rua e não a relva, como é suposto?

Por fim: Quem é que rega a relva a meio da tarde, debaixo de um calor abrasador como o que está hoje? Ainda por cima estando nublado e com umas nuvens escuras a ameaçar chuva???

Sabes que andas a estudar de mais quando... #7

... Tens exame às 14h15 e te levantas às 11h10, pela primeira vez em vários meses. E em vez de ires estudar e fazer revisões vens para o blogue escrever e ver a paisagem pela janela neste lindo dia de chuva. De facto estar de férias e ir fazer exames não combinam.

Medos

Há umas semanas faleceu a avó da minha colega de casa. A minha colega de casa é de longe, os pais estão emigrados, e por isso ela passa, por vezes, meses sem ver a família.

Há umas semanas faleceu a avó da minha colega de casa e ela, naturalmente, ficou devastada, uma miséria, um caco. Isto das mortes é um assunto complicado, especialmente se for alguém que nos é próximo, alguém da nossa família que vive num cantinho do nosso coração.

Eu fui criada com os meus avós maternos. Os meus avós, os maternos, são tudo para mim. Sou neta única e, portanto, sempre fui muito mimada, a princesa dos olhos deles, a alegria do seu viver. Não me achem convencida, isto são eles mesmos que dizem. Estar com os meus avós é sinónimo de felicdade, de sorriso estampado no rosto, de comida boa e quentinha, de mimos infindáveis e alegrias incontáveis, de Natais em família, de Ovos Kinder na Páscoa e de uma nota no meu aniversário.

Por isso custa-me quando venho embora todas as semanas. Eles não caminham para novos e são várias as doenças de que padecem, apesar de ainda serem relativamente novos para terem uma neta de 21 anos. Mas mesmo assim, tenho medo. Tenho sempre medo, muito medo, todos os dias medo.

A vida dá muitas voltas, num segundo está tudo bem, no outro o nosso mundo desmorona e tudo dá para o torto. Falo por experiência, uma dia conto-vos sobre isso.

Por isso, e repito, tenho medo. Tenho sempre medo de vir embora e ser a última vez que os vejo, que lhes toco, que lhes dou um beijo e digo "até sexta", porque pode não ser. A vida muda num instante, e eu tenho bem noção disso.

Vivo com este pânico que só eu compreendo e por vezes me decide assolar à noite, quando estou sozinha. A nossa mente é tramada, põe-nos a pensar naquilo que não devemos a horas indecentes. E isto não se aplica só aos meus avós. Aplica-se a todos, especialmente a eles e à minha mãe, que também tem uma saúde frágil e já me pregou o maior susto da minha vida.

Esta luta interior por vezes cansa. O querer saber que está sempre tudo bem não mata, mas vai esfolando aos pouquinhos e consumindo lentamente.

Até que chega o dia de voltar e temos mais uns dias de repouso desta loucura que é a vida longe da família.