quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Viagens e Malas

Uma das coisas que menos gosto nesta vida é fazer malas. É todo um processo complicado e moroso e, para as raparigas, esta tarefa é dez vezes pior. Há certas coisas coisas que têm de andar sempre comigo, e há certas coisas das quais só possuo um exemplar, ou seja, basicamente ando sempre com "a casa às costas". Vejamos alguns exemplos:


1) Maquilhagem - toda e qualquer rapariga tem o seu estojo de maquilhagem, devidamente equipado com cremes, bases, sombras, rímel e afins. E, se forem como eu, piquinhas como tudo, usam apenas uma determinada marca e uma determinada cor comprada na farmácia/supermercado X. Ora, estes produtos são caros (a não ser que os comprem nos chineses. Atenção, nada contra, apenas não gosto de arriscar a minha pele e prefiro algo mais seguro), e portanto só possuo um exemplar de cada, pelo que a minha bolsinha anda sempre atrás de mim.



2) Bijutarias e bugigangas - este ponto segue nos mesmos moldes que o anterior. Todas nós possuímos uma bolsa de bugigangas, com todos os nossos colares, anéis, pulseiras e afins. E, obviamente, como são peças que fui coleccionando ao longo da minha vida, nunca me passou pela cabeça enquanto as comprava o pensamento "Ah, deixa cá levar dois exemplares porque, quiçá, talvez daqui a uns anitos vá estudar para fora e tenho que andar com a tralha toda atrás de mim e depois é uma chatice". Pois, não pensei assim, e também nunca pensarei. E, portanto, essa é outras das coisas que andam sempre atrás, e é uma chatice quando me esqueço delas, o que já aconteceu. Sobreviver àquela semana só com um relógio e sem elementos decorativos para animar o meu look foi uma tristeza.



3) Aquela escova de cabelo - sei que pode parecer estranho, mas há uma escova especial, da qual, novamente, só possuo um exemplar, que uso para andar para aqui a fazer uns caracolitos no cabelo. E é aquela escova, é especial e mais nenhuma a substitui, pronto. É tão especial, reparem lá, que, se a usar, pareço a Kate Middleton, se não a usar pareço a Whoopi Goldberg (true story!).



4) Livros - este não é o item mais precioso da minha mala, mas é aquele que, para onde quer que eu vá, me segue e persegue. É, basicamente, a minha sombra. Ora, como já sabeis, sou obrigada a fazer um estudo constante e intensivo, portanto, ir de fim-de-semana e não levar os livros para estudar, é simplesmente proibido. Portanto, lá vai a triste coitada com os mostrengos atrás, feita burra de carga.



5) Computador - Ora, como não sou rica e ainda não ganhei o euromilhões, ter um computador cá e um lá está, simplesmente, fora de questão. Portanto, todas as semanas lá vou eu com o trambolho atrás, sim, porque o meu computador, apesar de bem estimado, já está um pouco velhote e pesa, com cabos e mala e todos os apetrechos, sensivelmente 6kg. 6kgs são 6 pacotes de arroz, ou um garrafão de água daqueles novos e que levam mais água (obrigada Continente por não quereres que os portugueses morram à sede), ou ainda 24 pacotes de manteiga! Já imaginaram andar com 24 pacotes de manteiga atrás?? Pensem nisso.



6) Indumentárias - Este item é óbvio e nem merece grande discussão. Todas as semanas lá vou eu com a roupinha atrás (após ter consultado a meteorologia para a semana que não se pode ir ao engano e também não se quer que a mala pese de mais) para a semana, e ao fim de semana lá a trago toda de volta para a minha mãe a lavar (desculpa mãe, mas obrigada, o que seria eu sem ti??).



Estes são apenas alguns dos items mais preciosos e chatinhos de serem carregados e que, parecendo poucos, todas as semanas me causam dores nos meus ricos ombros e incómodo por ter de andar a arrastar o malão pelas escadas acima. Se por acaso se compadecerem da minha situação e se quiserem oferecer para transportar as minha malas, ou oferecer-me um carrito (que isto é uma chatice andar a enfiar e a tirar malas de porões que são tão ou mais altos que eu), fico eternamente agradecida. Prometo, como recompensa e agradecimento, prometo passar-vos à frente nas listas de espera do hospital e dar-vos tratamento VIP (mas não digam a ninguém, conflito de interesses não é permitido!).



Tudo para benefício da saúde, minha e vossa!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

De volta à realidade

Isto é tudo muito bonito estar uma semana de férias em casa, mas não se pode procrastinar mais. Há que voltar à realidade e aceitar que o carnaval, o dia dos namorados e todas as outras desculpas esfarrapadas para não fazer nenhum, acabaram.

Ainda assim, e apesar de ter havido muito estudo esta semana (para a semana  há exames e trabalhos para entregar) é sempre bom passar uns dias em casa, rodeada daqueles que mais gosto, sem ter de me preocupar com coisas como cozinhar, lavar pratos, arrumar e fazer limpezas. Obrigada mãe.

E portanto, e como amanhã é o penúltimo dia em casa, está na altura de começar a pensar em ver a meteorologia para a semana, fazer a mala e preparar as coisas para voltar.

Mas nem tudo é mau. Ontem foi o dia dos namorados, o que proporcionou um serão mais descontraído, do qual saímos com um valente avião depois daquele mega jarro de sangria branca, uma maravilha. Cortesia do Al Forno D'Oliva. É disto que eu gosto: boa comida e boa companhia! Dos livros nem tanto, mas faz-se o que se pode.

Ora então, até amanhã, que é Sábado mas é dia de trabalho na mesma.


(A minha pessoa no domingo)


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mitos médicos

Têm-me chegado até aos ouvidos umas quantas barbaridades que são ditas acerca dos médicos/aspirantes a médicos. Vamos, então, pôr os pontos nos is, e esclarecer este assunto, doravante designado por "Mitos médicos".

1) Somos todos muito inteligentes

AHAHAH. É a única reacção possível. Desculpem, não quero ferir susceptibilidades nem afirmar-me como a nova Stephen Hawking do século mas, a sério, deixem-se disso, há gente muita burra em medicina. E digo-vos isto com muita franqueza porque é verdade. Infelizmente, este curso está associado a pessoas com grandes notas de entrada, o que não é mentira, mas ter um rico 20 estampado na pauta nem sempre é sinónimo de inteligência. Pode ser apenas sinónimo de marranço, muitas vezes associado a burrice pura. Sim, porque há médicos/aspirantes a médicos que não fazem a mínima ideia do que se passa no mundo, que não vêm as notícias, não lêm os jornais, não lêm livros e não se cultivam. Para mim, inteligência é um todo: é, obviamente, estudar bastante (até porque neste curso é preciso), mas é também fazer toda uma série de coisas que contribuem para a nossa formação como indivíduos, seja ler, seja viajar, seja ouvir as notícias ou ver um filme. Isso é muito importante, e, desculpem desiludir-vos, mas nem todos somos assim.

2) Não temos vida social

AHAHAH nº2. Lamento desiludir-vos novamente, mas nem todos somos ratos de biblioteca. Aliás, para aqueles que ainda andam no meio estudantil, certamente saberão a fama que têm as festas de medicina. São conhecidas pela sua agressividade, pela sua quota alcoólica elevada, pelas suas figuras tristes, enfim, por ser a destruição. Nós não gostamos de queimar neurónios (e pestanas) só a estudar, sempre que podemos sai daí uma festa. E não é uma festinha qualquer, é um festão, uma destruição hepática extrema, capaz de levar qualquer um para ao INEM ao fim da noite. Pois é, amigos, desengane-se quem pensa que, lá por estudarmos o nosso metabolismo e sabermos o mal que o álcool nos faz, deixamos de o consumir. Violentamente.

3) Não temos vida amorosa

Este é outro dos grandes mitos. Vocês pensam "ai coitadinha que está sempre a estudar e não arranja um namoradito para ir dar umas curvas". Seus feios. Informo-vos que mantenho uma relação estável, sólida e duradoura há 2 anos, 7 meses e uns dias, e consigo gerir perfeitamente a minha vidinha tal como ela é. Jealous much? E como eu, muitos outros.

Por isso, como vêem, nem tudo são rosas e isto até nem é aquilo que vocês pensam! Somos estudantes como outros quaisquer, simplesmente vamos ter uma profissão de maior responsabilidade. Vamos lidar com vidas e fazer o que estiver ao nosso alcance para vos ajudar. Por ora, também é importante divertirmo-nos e fazermos tudo aquilo a que o estudante tem direito.

Quando a altura chegar de tratarmos de vós, cá estaremos, e prometo que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para termos o melhor desempenho, porque isso, sim, é algo comum a todos os estudantes de medicina: sabemos a nossa importância, e não pretendemos "brincar" com isso. Não se preocupem.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

As notas

O pior momento da vida de um estudante é aquele em que ele espera por saber o resultado dos exames. Começa por ser uma leve inquietação, depois passa a um nervoso miudinho, seguido das traças (e não borboletas) no estômago, transformando-se, por fim numa náusea desgastante, qual mulher grávida. Depois temos uma de três situações:

1) As notas foram o que estávamos à espera:

Esta é uma sensação boa, olhar para a pauta e pensar "bem, safei-me". É um sentimento de sensação cumprida, mas sem grande alvoroço, porque o que a gente gostava mesmo era ter uma rica nota, daquelas de fazer inveja ao crânio do curso. Ainda assim, e na impossibilidade de se fazer melhor, esta é uma boa situação, e alegre-se quem por ela passa de forma recorrente! Não é o meu caso.

2) As notas foram piores do que estávamos à espera:

Eu simplesmente odeio quando saio de um teste com aquela sensação de "ah e tal, isto até correu benzito, se calhar até consigo um doze!". Querias. Toma lá um oito bem redondo e um atestado de chumbo na testa. Este é mais o meu caso.

É nestas alturas que é importante encontrar defesas. Não no sentido literal da palavra, mas no sentido de estarmos sempre preparados para o pior, porque assim a desilusão é menor. Desculpem lá a sentimentalidade. Porque depois podem ocorrer situações como a número 3:

3) As notas foram melhores do que estávamos à espera:

Este sim, é o clímax da vida de um estudante, seja de que curso for. É pensar que vamos ter uma nota de merda (desculpem a franqueza), e depois até nos safamos, nem que seja com 10. Nestas alturas, o 10 pode mesmo ser o nosso melhor amigo. E não sabe tããão melhor estar à espera de uma caca de nota e depois lá vem o 10, no seu esplendor, redondinho e brilhante e fofinho, alegrar-nos o dia???

Hoje, meus caros, encontro-me na situação 3, o que é algo raro! Normalmente sou mais uma pessoa do tipo 2 (na nova escala por mim inventada de classificação do estudante),  mas hoje as coisas até correram bem! Pimba leça. Tomem lá professores que dizem que só tira boas notas quem não vai a casa de fim-de-semana! 

 *dança da felicidade*

E com isto ganhei um novo fôlego para estudar!

Membro inferior, mi aguardjiii! (desculpem lá a pirosada, mas a felicidade às vezes dá para aparvalhar)


Coisas que gosto...#1

Não dei notícias, claramente não sobrevivi. E é tudo o que digo sobre o assunto; definitivamente o cenário encontra-se neeeeegro, meus amigos.

Adiante, que hoje não estou para conversa fiada.

Tal como vos tinha prometido, e porque os deuses dos blogues assim mo ordenaram, está na altura de tornar este espaço mais apetecível e apetecido. Assim, iniciemos a minha nova crónica! Afinal, intitulei o meu blogue de "Crónicas de uma estudante de medicina deslocada", pelo que faz todo o sentido que elas sejam o destaque, até porque é aquilo que me apraz escrever, e espero que vossas excelências também gostem. Ora então, continuemos a saga.

Coisas que gosto em ser estudante deslocada #1:

Conhecer uma cidade nova

Antes de começarmos a discutir este assunto, vamos lá por os pontos nos is: a minha cidade, o Porto, é a melhor cidade do mundo, e não há volta a dar. Ponto final. 

Ainda assim, descobrir uma cidade nova quando se vai estudar para fora é sempre uma experiência interessante e enriquecedora. Os primeiros dias são sempre complicados, como é óbvio. Nunca tinha estado fora, e portanto passar a viver a 265km de casa, numa cidade desconhecida, longe dos pais e de tudo o que conheço, claramente foi uma situação complicada. Assim assim, isto tem as suas vantagens. De repente apanhei-me numa cidade nova onde as pessoas dizem "piuto" em vez de "puto" e percebi que o nosso país não é assim tão pequeno, e uma viagem de apenas duas horas parece que nos leva para um planeta diferente. Obviamente, conhecer uma cidade nova é como ir de férias, há sempre alguma coisa para descobrir, um local para visitar, novos amigos para conhecer e, principalmente, festarolas para ir.

Posso comer o que me apetecer

Ora, como bom garfo que sou, a coisa que mais me entusiasmou foi poder ir ali ao Continente e comprar toda a comida que me deu na gana. Ele é chocolates, ele é bolachas, sumos até agora desconhecidos, patés maravilhosos, os mais variados tipos de pão e outros pitéus que tal. Claramente isto só aconteceu no primeiro mês, já que cheguei ao fim do mês com a conta bancária a zeros e a ter que ir pedinchar por um pedaço de pão à vizinha do lado. Desgraças à parte, realmente é engraçado poder ter esse tipo de liberdade, se bem que preferiria continuar em casa e comer o belo do lombo assado da minha mãe em vez da massa com atum (note-se, porém, que eu até sou pessoa de cozinhar, e bem!, mas realmente cozinhar só para mim, e ter aquele trabalho todo para desfrutar sozinha, é coisa que não me assiste).

Não ter horários

A verdade é que já não tinha muitos horários quando estava em casa, até porque os meus pais são pessoas liberais e super mega espectaculares (obrigada papás!!!) e nunca foram gente de impingir horário para chegar a casa (se bem que é sempre preciso um bocado de respeito com as horas quando o Pai está em casa, senão no dia seguinte ele olha-nos com aquele olhar reprovador de "Eu sei a que horas chegaste ontem à noite"). Outra verdade ainda é que, aqui onde estou, não tenho muito o hábito de sair. Não sei se terá sido porque ainda não fiz aqueles graaaandes amigos para todo o sempre, ou porque passo a vida a estudar e chega aí às dez da noite e só me apetece mas é ir chonar. Ainda assim, satisfaz-me saber que, neste momento, se me apetecesse, podia sair para o meio da rua e passar a noite a vadiar que ninguém teria nada a ver com isso. Mesmo assim, não o faço, claro está, que eu até sou uma pessoa decente e bem comportada.


Tinha aqui pano para mangas, mas as horas passam depressa e amanhã as aulas não começam mais tarde por minha causa, se bem que deviam, devido à importância da minha pessoa. Malvados. Adiante.

Relembrar que: PARA A SEMANA HÁ FÉRIAS!!! Tecnicamente, não são férias férias, é apenas uma extensão do tempo para estudar, porque férias... Ahhhh férias, essas só as vês quando acabar o ano, e não digas que vais daqui! Tristeza de vida. Pequenos leitores, quando chegar a altura de escolher o vosso destino: não vão para a medicina. Tenho dito.

Até um dia destes.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Matança

Preparem o matadouro, afiem as facas, amanhã é dia de exames! Prevê-se muito sangue, suor e lágrimas derramadas. Aviso vermelho para o distrito de Castelo Branco.

Vamos lá, equipa! (Por equipa entenda-se os meus neurónios).

Amanhã dou notícias. Se sobreviver.

(como me sinto hoje e sempre)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Estética e coisas

Após uma ausência considerável (5 dias sem postar nada é um crime, segundo os experts em blogues de renome mundial), apresento-me novamente ao serviço.

Se faz bem descontrair um pouco, tendo sido, aliás, esse o objectivo pelo qual criei este blogue, a verdade é que o tempo é pouco, e o estudo urge. Ora, portanto, creio não ser possível fazer um update na minha masterpiece, que é como quem diz obra-prima, com uma frequência tão elevada como queria. Mas não vos preocupeis, caríssimos seguidores, continuarão a ouvir de mim.

Ora, como já deveis ter reparado, este espaço blogosférico sofreu uma pequena extreme makeover. No início escolhi um template daqueles pré-definidos e 'tá a andar. Não gostei, era muito escuro, muito impessoal, nada eu, que apesar de ser uma pessoa relativamente calma, até gosto de ir dando nas vistas (mentira). Assim, resolvi afeminar a coisa. Mau resultado: choveram críticas. "Ah e tal, isto não és tu, até fica mal, até pareces uma daquelas meninas mimadas que criou um blogue a documentar a sua árdua tarefa diária de escolher o que vestir e o que combina melhor com o quê, se sapatos com minissaia, ou botas com skinny jeans". Ok, está bem, mensagem recebida. Toca lá a mudar tudo outra vez. Assim, num breve de espaço de dez minutos, em que fiz uma pausa do meu querídissimo e estimado Moore, resolvi modificar a estética disto novamente. Obviamente, não poderia escolher outro tema que não fosse, claro está, livros, os meus melhores amigos. Assim, apreciem a beleza deste novo e renovado espaço, mais sóbrio, menos exuberante e berrante, mais eu. Dúvidas, críticas e sugestões aceitam-se na boxe dos comentários, criada para o devido efeito! (Isto é uma forma subtil de vos pedir, caros leitores inexistentes, que comenteis o meu ainda incomentado piqueno blogue). E é isto de estética.

Só mais uma pequena coisa. Andei por aí a sondar o comum mortal, e constou-me que o título da minha mais nova rubrica, a "Coisas que odeio #tal" afinal não é assim tão apelativa quanto julguei. Fiquei desolada, claro está. O objectivo de qualquer pai é o sucesso do seu filho, e a minha rubrica, aparentemente, não está a consegui-lo. Assim, declaro, a partir deste momento, na qualidade de rainha do Crónicas, renomeada a rubrica "Coisas que odeio" para "Coisas que desgosto". Fim de discussão. E com isto, e por sugestão ainda do comum mortal que andei a sondar, declaro aberta a minha segunda rubrica, o "Coisas que gosto em ser estudante deslocada", criada nos mesmos moldes da primeira rubrica. Chegou até aos meus ouvidos que este era um blogue onde só exibia as minhas desgraças e desprazeres em estudar fora. Desengane-se quem assim pensou, isto até tem as suas vantagens. Mais mais disso depois, que este post já está a ficar comprido e o tempo cada vez passa mais depressa.

Espero ainda ver-vos esta semana, não prometo. Três exames numa semana é dose. Realmente escolhi uma má altura para criar um blogue, valha-me Deus. Vamos indo e vamos vendo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Coisas que odeio... #1

Estando eu na posse de (quase) todas as minhas faculdades mentais, e na aclamadíssima qualidade de "dona deste blogue", não faria sentido não ter uma rubrica. Aliás, nos variados manuais sobre como gerir um blogue e torná-lo um sucesso, este é um dos pontos-chave: ter uma rubrica.

Assim, inicio a minha rubrica "Coisas que odeio em ser estudante deslocada". O título é um bocado para o grande, e por isso os posts, doravante, serão apenas conhecidos por "Coisas que odeio... #(inserir número da publicação)".

Passemos à acção!

1) Não ter carro ou boleia

Esta é, meus caros, uma das coisas que mais me custam na minha vidinha de estudante deslocada. Primeiro, e para esclarecer, eu não tenho viatura própria. Tenho uma viatura "quase própria", o que é mesmo que dizer "utilizo o bolinhas da minha mãe quando (sempre) que ele está disponível, em troco de favores obscuros (nomeadamente cozinhar e fazer limpezas)". Ainda assim, e considerando que a minha mãe é a melhor mãe do mundo (não inserir sarcasmo aqui, já que isto é inteiramente verdade e eu o digo com muito orgulho), sempre que possível lá vou eu dar uma volta ou outra, no carro antiguinho da minha mãe, de mil novecentos e pouco. No entanto, gozo de uma liberdade maravilhosa cada vez que conduzo. O facto de saber que não dependo de ninguém para fazer o que quer que seja, apenas do dinheiro que exista na carteira para dar combustível ao animal faminto, é algo que me satisfaz enormemente.
Ora, uma estudante deslocada sem viatura própria, claramente não vai para outra cidade estudar e leva o carro da mãe "emprestado" durante a semana inteira. Estudante que é estudante utiliza os transportes públicos!

Mas não é sobre a forma de chegar à minha outra cidade que a primeira intervenção pretende dissertar. É sobre como sobreviver à semana que lá passo.

Como já referi no primeiro post deste blogue, não sou pessoa de exercício. Conclua-se, portanto, que não sou pessoa de andar a pé. Assim, a minha primeira preocupação quando procurei casa por estes lados foi "Será que é perto o suficiente da faculdade?". Bem, encontrei uma casa razoavelmente perto. Vá, é pertíssimo, são 6/7 minutos de caminho desde que saio da porta de casa até à porta da faculdade. Mas, garanto-vos, são os minutos mais penosos da minha vida. Não gosto de andar a pé, chamem-lhe defeito de fabrico, e portanto custa-me andar mais do que 5 metros seguidos.

A coisa até se vai fazendo, quando não chove e até está uma temperatura agradável. E quando fica frio e chove? Aí é que são elas.

As duas últimas semanas têm sido particularmente torturantes, uma vez que a temperatura média tem rondado os 3 graus. Então, sair logo pela manhã e levar com uns agradáveis 2ºC, estampados no mostrador da farmácia, meeeesmo no meu focinho, custa. E não é pouco. É muito. Lá vou eu toda enchouriçada para a faculdade: aqui vão 3 camisolas, duas delas polares, mais dois pares de meias, umas luvas, um gorro e ainda o carapuço do casaco. A coisa faz-se. Pior é quando chove. Tipo hoje. Mais precisamente há meia hora.

Aqui quando chove, chove a sério. Não estamos no litoral, onde caem umas pinguitas só para nos assustar, que isso é brincadeira. Aqui Chove, com C grande. Lá vinha eu, como já disse há uns 30 minutos, da faculdade, toda apetrechada dos mais diversos objectos anti-chuva (galochas, guarda-chuva e afins) e uma carrada de livros em cima para ajudar, até relativamente descansada e pouco molhada, quando há um grandessíssimo condutor idiota, anormal de primeira categoria, que resolve passar mesmo em cima de uma poça de água, justamente a 50cm de mim. O que é que acontece? Aqui a menina leva um valente banho de água gélida, daquela que se sente nos ossos, toma lá que já almoçaste. O horror. Ainda me virei para trás, insultei o condutor "ó seu grandessíssimo fdp, se tu andasses a pé queria ver!", e barafustei com o guarda-chuva no meio do ar. Mas não adiantou, o desgraçado continuou dentro do seu carro, a seguir o seu caminho, sentado confortável e sem apanhar chuva, muito provavelmente com o ar condicionado perto dos 37ºC, para ficar em osmose com a sua temperatura corporal. Animal.

Isto tudo para concluir que esta é apenas uma das razões pelas quais odeio não ter carro, ou até mesmo boleia. Porque, se tivesse, nada disto acontecia. Eu vinha descansada da vida a conduzir o meu carrinho, a mudar suavemente as mudanças e a ouvir a RFM, enquanto os desgraçados lá fora apanhavam uma molha e partiam guarda-chuvas com o vento. Com sorte, ainda fazia a mesma brincadeira do outro de há bocado, e cá vai disto uma tromba de água para vocês que me parece que não tomaram banho hoje de manhã!

Esta vida é triste, e eu não desejo a ninguém. Quero ver quando este país estiver bem enterrado na sanita e não se puder usar o carro e os transportes falirem. Nem quero imaginar.

Nesse dia, deixo de sair de casa.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Será isto Medicina?

Por vezes, quando estou a ter aulas de uma certa cadeira, dou por mim mesma a pensar para com o meus botões "Mas em que raio de curso estarei eu?". Sim, porque às vezes, este curso parece tudo menos Medicina.

Veja-se o exemplo de hoje. Acabo de chegar de uma aula de Bioestatística. Está tudo muito bonito e tal, é preciso saber contar e definir classes, saber até calcular a média e a moda, não vá o nosso filhote daqui a alguns anos pedir-nos ajuda e nós não o podermos ajudar com os TPC e depois é uma tragédia; tudo bem, mas ainda assim, por que razão tenho eu de saber estas coisas? Será que, quando começar a atender os meus pacientes, vou pensar, antes de mais, na média da idade das pessoas que procuram a minha assistência, ou se a altura da D. Dolores está no primeiro, segundo ou terceiro quartil? Não digo que não seja importante, óbvio que é, daí existir a ciência da Demografia, mas aí reside a questão: Demografia, não Medicina! Vai-se a ver, e se perguntarmos aos alunos mais velhos o que era a Bioestatística, a única coisa que eles se recordam é que foi uma cadeira de Matemática, mais uma daquelas chatas e irritantes que, apesar de não ser muito difícil, exige estudo, e sobretudo tempo, algo muito valioso nesta nossa vida de estudante deste curso.

Outra coisa que me causa espécie  nesta cadeira é ela ser leccionada no primeiro ano. O que vai acontecer é simples: vou estudar para a dita cadeira, passar (espero eu, se não passar a coisa está negra), e mais para o final do curso, quando estas ferramentas me forem úteis para a minha tese de mestrado e eu já não me lembrar delas, vou ter que recorrer a meios ilícitos para a concluir (nomeadamente aquelas empresas espectaculares que fazem o tratamento de dados estatísticos, é só mostrar as notinhas reluzentes na carteira). A ver vamos, espero até lá ficar a perceber um pouco mais disto.

Será que isto quer dizer que, para além de médicos, também seremos matemáticos, filósofos, historiadores ou artistas? Se assim for, menos mal.

E assim concluo a minha primeira dissertação no campo das frustrações e inutilidades médicas, esperando que seja do vosso agrado, caros leitores inexistentes.

Amanhã volto, um pouco menos senil do que hoje.




Teste 1,2,3


Soltem-se os foguetes, inicie-se a festa, a minha pessoa resolveu aventurar-se no mundo da blogosfera!

Segue uma breve apresentação: sou uma estudante de medicina deslocada, vai daí passo o dia com o nariz enfiado nos livros. Depois de experimentar facebooks, hi5s, fotologues, farmvilles e outros que tais, eis que me decido experimentar nestas novas andanças. Tenho cá para mim que, ou isto corre muito bem e eu consigo estudar 3047 páginas como fazia dantes e ainda ir escrevinhando umas coisitas por aqui, ou daqui a meia dúzia de dias bye bye internet. O que conta é a intenção e o esforço.

Considerações gerais nº1: sou dona e senhora deste meu novo legítimo espaço, e portanto toda a cagada que me vier à cabeça e me apetecer pôr aqui eu ponho!

Considerações gerais nº2: Porquê um blog? Pois bem, uns fazem desporto, outros vão para os copos, outros fumam, eu... vou escrever! E repito, aquilo que me apetecer e bem entender. Tudo com uma pitada de humor negro e sarcasmo, mesmo à minha medida, mas, ainda assim, este não passará de um espaço onde descarregarei as minhas frustrações e alegrias de cada vez que conseguir ter 10 a Anatomia (loucura!) e partilharei um pouco da minha experiência como estudante deslocada, a viver longe dos paizinhos e das mordomias a que a maioria de nós está habituado.

Está na hora de voltar à vida real, os livros berram e chamam por mim.

Até já.