segunda-feira, 4 de março de 2013

Fim-de-semana a terminar

Hoje termina o fim-de-semana prolongado e às 21h30 lá estou de regresso à minha segunda cidade. A partir das 19h é o rebuliço do costume: fazer a mala, preparar isto e aquilo, verificar se não falta nada, tudo bem embalado e compacto na mala, que não pode ser muito grande, primeiro porque as minhas costas, apesar da tenra idade de 20 anos, já se começam a queixar quando o peso excede os 5kgs, e segundo porque o carro do meu amigo que me dará boleia hoje tem que albergar malas de mais 4 pessoas, o que não é uma tarefa fácil.

Amanhã tenho a última aula do trimestre (de estatística, absolutamente inútil), e depois vai ser um "valha-me Deus salve-se quem puder porque os exames finais estão próximos". Portanto não esperem ver grandes dissertações filosóficas e culturais nos próximos tempos, apenas dissertações anatómicas ou estatísticas, o que já não é mau.

Boa semana para todos.

domingo, 3 de março de 2013

OTL - Ocupação dos Tempos Livres

Muita gente me pergunta o que é que eu faço nos meus tempos livres. Ora, como sabem, os meus tempos livres são quase nenhuns, o que é uma tristeza para mim, porque há tanta coisa boa para se fazer nesta vida que é uma frustração tamanha não poder aproveitá-los devidamente.

Tenho um fim-de-semana livre de 15 em 15 dias (estou numa faculdade toda futurista que acha que não temos mais nada que fazer a não ser ter exames quinzenais), e portanto passo a semana a almejar o maravilhoso fim-de-semana. Faço 1001 planos: "ora bem, no sábado vou levantar-me às 8h da manhã. Vou dar uma corrida até à praia, ver as vistas e tomar um café na esplanada enquanto leio aquele livro que estou há 3 meses a tentar acabar. Depois vou almoçar a maravilhosa comida da minha mãe. De tarde vou ver um documentário/série/filme e à noite vou até ao shopping tomar um café com os meus amigos do coração." Os planos de Domingo não diferem muito, com a diferença que à noite vou, geralmente, de viagem.

Isto é tudo muito bonito, planear as horinhas todas ao pormenor e achar que se vai ter um fim-de-semana super produtivo. Mas a realidade é muito diferente e infinitamente mais triste.

O que acontece, geralmente, é muito diferente do planeado. Basicamente, os meus planos saem sempre furados. Em primeiro lugar, as manhãs são sempre desperdiçadas a dormir. Não que dormir seja um desperdício, pelo contrário, até é bem preciso, mas a verdade é que, com tão pouco tempo livre, deveria aproveitá-lo melhor em vez de passar a manhã (às vezes estende-se até ao início da tarde) a dormir. A tarde é outro grande problema. Normalmente, tenho sempre grandes planos de me actualizar socioculturalmente, mas em vez de me dedicar a ler ou a actualizar a minha cultura cinematográfica, ou seja, a fazer algo realmente útil para a minha formação, fico sentada no sofá, a ver o canal E! e os dilemas e grandes problemas de vida dos famosos. Às vezes também leio uma revista cor-de-rosa, que é de extrema importância saber as últimas fofocas nacionais e internacionais. O único plano que ainda vou mantendo é o da saída nocturna, pelas razões óbvias.

Chega o Domingo, e em vez de aproveitar o pouco tempo livre que tenho para tentar remediar o que (não) fiz no Sábado, geralmente fico a queixar-me do tempo que perdi e de quão mal o aproveitei. Quando dou conta está na hora de fazer as malas e voltar à rotina do costume.

E assim se desperdiça um fim-de-semana que poderia ter sido maravilhoso. E depois é por estas e por outras que estou presa no mesmo livro há três meses e ainda não o consegui acabar e porque este ano, pela primeira vez na vida, não consegui ver todos os filmes candidatos aos óscares antes da cerimónia. Mas perguntem-me lá o que se passa na vida das celebridades, ou quais os últimos divórcios escandalosos ou gravidezes inesperadas. Pois, isso que não é importante sei eu tudo. Santa ignorância. Nem pareço uma pessoa que gosta de se cultivar. Tenho que mudar de vida.

sábado, 2 de março de 2013

Tecnologias

Não percebo nada de tecnologias e estou extremamente frustrada.

Hoje tentei, no sentido de tentar pertencer um pouco mais à blogosfera, criar uma conta Google+ e tornar-me toda social. Não funcionou. Não percebo nada disto. Isto é só nomes complicados e coisas para as quais não fui talhada. Tentei mudar o meu nome, mas aparentemente a "política de nomes" da Google não me permitiu fazer as alterações que eu queria. Mas então, por que raio não posso eu chamar-me Miquelina de Jesus ou Maria das Dores Cucujães? Pior, ainda tentaram exigir que eu digitalizasse documentos oficiais para provar a minha identidade? Mas que raio?

Vencida, lá resolvi identificar-me correctamente. Mas e depois seguir outras pessoas? Lá andei a perscrutar os blogues que leio e, vejam só, acho que acabei por me seguir a mim mesma. Valha-me Deus.

Se alguém mais experiente que eu nestas andanças quiser dar-me umas lições desta coisa fico-vos eternamente agradecida. Olhem para mim como a pedinte mais chata de toda a blogosfera: peço-vos carros, casas e agora até ajuda para cuidar do meu próprio blogue. Tenham paciência, prometo tentar instruir-me mais um pouco da próxima vez.

Coisas que desgosto #2

Um dos grandes problemas de um estudante deslocado é a partilha de casa. Cada pessoa tem a sua própria personalidade, e cada um vive à sua maneira e está habituado de certa forma. Por isso, quando chega a altura de irmos partilhar uma casa com pessoas desconhecidas, com hábitos e estilos de vida diferentes, a coisa complica-se um pouco. Vejam-se algumas das situações com as quais tenho que lidar diariamente e que, como o título sugere, desgosto.

1) Partilha de WC
Esta é, meus amigos, uma das coisas que mais me fez confusão quando saí de casa. Com que tipo de pessoa vou eu partilhar a minha casa-de-banho? Será que ela toma banho??? Será que vai mexer nas  minhas coisas? Será que vai roubar o meu papel higiénico? Será que se vai baldar às tarefas de limpeza? Por sorte, até me calhou uma menina relativamente calma para dividir a casa-de-banho. No entanto, sinto-me extremamente aliviada, já que não temos que dividir tarefas de limpeza (acho que a nossa senhoria tem medo que morramos enterradas no meio do esterco e prontificou-se, desde logo, a fazer limpeza às partes comuns). É um sossego, senão desconfio que aqui a pessoa ia andar a limpar a casa-de-banho sozinha...

2) Horários diferentes
Sou uma pessoa que gosta de ir dormir cedo. Cedo tipo por volta da meia noite. Mas as minhas colegas de casa têm um problema grave com dormir à noite e estudar/viver de dia, fazendo precisamente o contrário. Ora, quando o sono começa a atacar para estes lados, lá vou eu sossegadinha para o meu canto, tentar desfrutar do meu sono de beleza. E porque é que esta é uma tarefa complicada? Porque fiquei com o quarto do meio, logo ouço todo o barulho, e porque as minhas colegas não sabem, simplesmente, respeitar o meu sono. Ele é portas a bater, ele é conversas até às quinhentas, telefonemas e sms, gargalhadas até mais não, enfim, uma festa! E não adianta dizer nada, porque 5 minutos depois voltamos à velha história (e ainda fazem queixinhas à senhoria, como se ela fosse nossa mãe! Arre!).

3) Gastos
Já se sabe que quando se juntam três pessoas que não se conhecem de lado nenhum na mesma casa, há-de haver sempre pontos de divergência entre elas. O nosso reside nos gastos. Eu sou da opinião que devemos poupar, seja na água, seja na electricidade. A visão da minha colega é, precisamente, a oposta. "Mas se eu estou a estudar fora e a sofrer muito por estar longe da minha família, quero ter o mínimo de conforto para viver em paz". Pois. Mas o conceito de conforto dela é diferente do meu. O conceito de conforto, para ela, é ter sempre o aquecedor ligado no máximo (e depois abrir a janela porque, ai, o meu quarto está muito quente), ligar todas as luzes por onde quer que passe (porque eu tenho de ver bem por onde ando, eu não estou em casa onde conheço todos os cantinhos!), não abrir as janelas logo pela manhã (o sol incomoda taaaanto de manhã), entre outras coisas absolutamente ridículas e absurdas.

Lembram-se de quando vos pedi, gentilmente, um carrinho caso vos saísse o euromilhões ou algo parecido? Pois bem, vejo-me obrigada a pedir-vos, novamente, da forma mais gentil que consigo, que, se houver por aí alguma alma caridosa que se compadeça do meu sofrimento e tenha uns tostões a mais e não saiba o que fazer com eles, que os invista na renda de um T0 para a minha pessoa. É só vantagens: garanto-vos guarida se algum dia desejarem visitar a cidade neve, prometo cuidar e estimar o espaço, com o benefício de melhorarem a minha performance académica, já que não ando tão ocupada a chatear-me com as minhas conterrâneas. Ora, e uma melhor performance académica significará uma melhor profissional, que é exactamente aquilo que vocês querem e precisam. E, como já vos disse, prometo ainda dar-vos consultas grátis e passar-vos à frente de todos os velhotes em lista de espera! Parece-vos um bom negócio?

Pensem nisso!

sexta-feira, 1 de março de 2013

O Secundário

SPOILER - Hoje temos um post sentimental.

Hoje voltei à minha antiga Escola Secundária, aquele onde passei, garanto-vos, os melhores anos da minha vida. Ao contrário das pessoas normais, posso dizer que, para já, gostei mais dos meus tempos de estudante do Secundário do que dos de Faculdade. Não sei se é porque a vida era fácil, se por estar em casa, se por ter lá feito os meus melhores amigos, ou se foi porque lá conheci a minha pessoa, com quem ainda hoje estou.

Hoje voltei, como já disse então, à minha Escola. Mas aquela já não era a minha Escola.

Foi anunciado, quando estava no 12º ano (o que aconteceu no lectivo 09/10) que a minha escola ia ser toda remodelada. Estava velhinha e um bocadinho degradada o que, na minha opinião, não era nada que não se pudesse resolver sem uns restauros. O projecto inicial era aumentar um andar em cada pavilhão. Até aí, tudo bem. Imaginei logo a minha escola toda imponente, cada bloco com 3 andares! Mas foi tudo por água abaixo. O segundo projecto seria manter o polivalente (a principal sala dos alunos) e demolir os blocos de aulas propriamente ditos para fazer um mega bloco, com tudo renovado. Embora tenha sentido uma ligeira facada no coração, pensei "bem, pelo menos o polivalente continua de pé". Pois, mas nada disto aconteceu. No ano seguinte à minha saída de lá, o projecto já era fazer uma nova escola do zero. O objectivo era fazer uma escola moderna, toda equipada e com todos os recursos necessários. A mim pareceu-me que eles queriam era fazer uma máquina de alunos, mas tuuudo bem. A demolição foi indo aos poucos, e nos primeiros tempos, quando lá voltei, ainda havia pedaços da escola onde andei, o que sempre me fez relembrar os bons momentos lá passados sempre que lá ia.

No entanto, quando lá fui hoje, senti-me perfeitamente defraudada e excluída daquela que foi, em tempos e para mim, a melhor escola de sempre. Vejam só que hoje fui lá para ir tratar de umas papeladas e a única coisa que reconheci foram alguns funcionários professores. Nada resta da minha antiga escola. Aconteceram, obviamente e como não podia deixar de ser, situações caricatas

Em primeiro lugar, não dei logo com a entrada do sítio. Resolveram colocar uma data de grades de ferros, super imponentes, pretas e soturnas, obviamente sem estilo nenhum, que nos confundem logo à partida. Andei então lá as voltinhas para descobrir qual das grades era, na realidade, uma porta. Primeiro objectivo conseguido.

Posto isto, avizinhava-se a segunda missão: descobrir a secretaria. Não havia ninguém à vista, aquilo mais parecia um deserto (de cimento porque as árvores que lá havia foram-se todas à vida - Chamem os Verdes!! Vergonha!!! Uuuuuuh!). Lá vislumbrei dois catraios, quase com idade para serem meus filhos (nem tanto mas pronto), e perguntei-lhes onde era a secretaria. Lá me indicaram o sítio.

Entrei e aquilo mais parecia um hotel de 5 estrelas. Verdade. Senti-me logo intimidada por todas as mensagens de boas-vindas, placas pomposas a anunciar que o ministro não sei das quantas esteve lá, o cheirinho a tinta e a verniz. Em seguida, dirigi-me à recepção para fazer o check-in, que é como quem diz perguntar onde e a quem me dirigir.

Tratadas todas as papeladas, resolvi dar uma volta para ver como estava tudo. Tristemente, nada me pareceu familiar. Não havia caras conhecidas, não encontrei nenhum professor e também ninguém se pareceu lembrar de mim. Nada mais me liga àquela escola. Aliás, aquela já não é mais a minha escola, porque o que resta dos tempos em que lá andei não é mais senão o nome. Isso entristeceu-me

Resolvi vir embora, com a certeza de que o tempo passa rápido e que não volta atrás.

O que era já foi, e o que foi não volta a ser.