domingo, 10 de março de 2013

Eu ainda só estou no primeiro ano

Quando estamos no primeiro ano de Medicina, somos frequentemente confrontados com uma de duas situações:

1) As pessoas acham que ainda não sabemos nada, ou;
2) As pessoas acham que já sabemos tudo.

Nenhuma delas corresponde à realidade. Passo a ilustrar com dois exemplos:

1) As pessoas acham que ainda não sabemos nada - Há uns tempos, o meu pai foi fazer umas análises de rotina. Tirar um bocadinho de sangue, ver se andamos bem de triglicéridos, colesteróis e afins. Ora, o objectivo destas análises é entregá-las à nossa médica de família, preferencialmente fechadas, durante uma consulta onde ela nos vai dizer mundos e fundos porque andamos a abusar do sal ou dos petiscos entre refeições. Claro que o meu pai não faz nada disto. Curioso e hipocondríaco que só ele, foi levantar as análises e abriu-as de imediato. Como pessoa leiga nas andanças médicas que é, deparou-se com um novo mundo de caracteres e expressões desconhecidos e, em vez de esperar pela consulta, veio todo aflito para casa esfregar-me as análises na cara e exigir, de imediato, que lhe dissesse qual a doença maligna de que padecia. Como é óbvio, e dado que ainda estou no primeiro ano, ainda não sei avaliar correctamente um boletim de análises, apenas sei olhar para os valores obtidos e verificar se estão dentro dos parâmetros. Dei uma olhadela às análises (apenas para concluir que não sabia o que significavam metade daqueles valores) e disse-lhe: " Acho que 'tás fino e fresco que nem uma alface. Não percebo muito disto, mas acho que está tudo bem". Toda a sua expressão modificou-se e olhou para mim com um ar desconfiado: "Então está mesmo tudo bem? Mas então e este valor aqui não está muito alto? E achas que deva fazer uma dieta? Cortar no sal ou no açúcar? Eu já não como doçaria mas, nunca se sabe, enfim, pode sempre cortar-se um bocado mais. Que dizes?". "Pai, eu não percebo muito disto, por isso acho melhor esperares pela consulta. Mas não te preocupes, a sério". "Não percebes nada disto. Ainda não aprendeste nada de jeito. Vou à farmácia perguntar à Dr.ª". E saiu , deixando-me assim, com cara de parva, a olhar para a porta.

2) As pessoas acham que já sabemos tudo - Aparentemente, estamos na altura de semear alguns hortícolas, nomeadamente batatas (não sou especializada neste assunto, apenas vejo os meus avó lá no campo a plantar coisas na terra). Após um dia de trabalho, a minha avó veio até mim, com a cara branca que nem cal e disse: "Ai filha, dói-me tanto as costas. Achas que isto pode ser rins?". Ainda não percebo muito sobre boletins de análises, mas se há coisa que já aprendi é que ninguém se aguenta em pé se tiver uma dor de rins a sério. Disse-lhe imediatamente "Não, impossível, isso é das costas. Andaste a tarde toda no campo de rabo para cima, toda torta, obviamente que isso é costas". Ela olhou para mim com um ar muito sério e disse, muito orgulhosa "Fogo, tu percebes mesmo disto, hás-de ser uma grande médica." E deu-me um abraço, como se eu tivesse acabado de lhe dar a melhor notícia da vida dela. Mal ela sabe que ainda percebo muito pouco disto, apenas o suficiente para saber que se a dor dela fosse, efectivamente de rins, ela nem tinha tempo para me perguntar o que se estava a passar.

Isto tudo para esclarecer duas coisas: no primeiro ano é certo que ainda aprendemos muito pouco, mas a verdade é que já aprendemos alguma coisa, porque se assim não fosse, qual o objectivo de existir o primeiro ano?

Portanto, amigos, não me venham pedir conselhos médicos sobre qual o melhor medicamento ou o que aconselho quando vos dói aqui ou acolá. Perguntem-me estruturas anatómica e onde fica o quê. Perguntem-me coisas de biologia (da pesada), porque também já aprendi. Coisas efectivamente de clínica, lamento desiludir-vos, mas ainda não estou apta para tanto! Daqui a uns anitos falamos.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Desabafos

Odeio estar fora. Odeio estar longe da minha família, dos meus amigos e do meu namorado. Odeio estar dependente do estudo 24 horas por dia. Odeio ter exames de 15 em 15 dias. Odeio a falta de tempo. Odeio as viagens. Odeio as malas pesadas. Odeio olhar pela janela e não ver a minha praia preferida. Odeio estar rodeada de monte. Odeio este clima, ora gelado, ora abafado. Odeio o silêncio ensurdecedor de quem passa dias sozinha sem ver gente. Odeio a solidão.

Quero a minha vida de volta.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Fim-de-semana a terminar

Hoje termina o fim-de-semana prolongado e às 21h30 lá estou de regresso à minha segunda cidade. A partir das 19h é o rebuliço do costume: fazer a mala, preparar isto e aquilo, verificar se não falta nada, tudo bem embalado e compacto na mala, que não pode ser muito grande, primeiro porque as minhas costas, apesar da tenra idade de 20 anos, já se começam a queixar quando o peso excede os 5kgs, e segundo porque o carro do meu amigo que me dará boleia hoje tem que albergar malas de mais 4 pessoas, o que não é uma tarefa fácil.

Amanhã tenho a última aula do trimestre (de estatística, absolutamente inútil), e depois vai ser um "valha-me Deus salve-se quem puder porque os exames finais estão próximos". Portanto não esperem ver grandes dissertações filosóficas e culturais nos próximos tempos, apenas dissertações anatómicas ou estatísticas, o que já não é mau.

Boa semana para todos.

domingo, 3 de março de 2013

OTL - Ocupação dos Tempos Livres

Muita gente me pergunta o que é que eu faço nos meus tempos livres. Ora, como sabem, os meus tempos livres são quase nenhuns, o que é uma tristeza para mim, porque há tanta coisa boa para se fazer nesta vida que é uma frustração tamanha não poder aproveitá-los devidamente.

Tenho um fim-de-semana livre de 15 em 15 dias (estou numa faculdade toda futurista que acha que não temos mais nada que fazer a não ser ter exames quinzenais), e portanto passo a semana a almejar o maravilhoso fim-de-semana. Faço 1001 planos: "ora bem, no sábado vou levantar-me às 8h da manhã. Vou dar uma corrida até à praia, ver as vistas e tomar um café na esplanada enquanto leio aquele livro que estou há 3 meses a tentar acabar. Depois vou almoçar a maravilhosa comida da minha mãe. De tarde vou ver um documentário/série/filme e à noite vou até ao shopping tomar um café com os meus amigos do coração." Os planos de Domingo não diferem muito, com a diferença que à noite vou, geralmente, de viagem.

Isto é tudo muito bonito, planear as horinhas todas ao pormenor e achar que se vai ter um fim-de-semana super produtivo. Mas a realidade é muito diferente e infinitamente mais triste.

O que acontece, geralmente, é muito diferente do planeado. Basicamente, os meus planos saem sempre furados. Em primeiro lugar, as manhãs são sempre desperdiçadas a dormir. Não que dormir seja um desperdício, pelo contrário, até é bem preciso, mas a verdade é que, com tão pouco tempo livre, deveria aproveitá-lo melhor em vez de passar a manhã (às vezes estende-se até ao início da tarde) a dormir. A tarde é outro grande problema. Normalmente, tenho sempre grandes planos de me actualizar socioculturalmente, mas em vez de me dedicar a ler ou a actualizar a minha cultura cinematográfica, ou seja, a fazer algo realmente útil para a minha formação, fico sentada no sofá, a ver o canal E! e os dilemas e grandes problemas de vida dos famosos. Às vezes também leio uma revista cor-de-rosa, que é de extrema importância saber as últimas fofocas nacionais e internacionais. O único plano que ainda vou mantendo é o da saída nocturna, pelas razões óbvias.

Chega o Domingo, e em vez de aproveitar o pouco tempo livre que tenho para tentar remediar o que (não) fiz no Sábado, geralmente fico a queixar-me do tempo que perdi e de quão mal o aproveitei. Quando dou conta está na hora de fazer as malas e voltar à rotina do costume.

E assim se desperdiça um fim-de-semana que poderia ter sido maravilhoso. E depois é por estas e por outras que estou presa no mesmo livro há três meses e ainda não o consegui acabar e porque este ano, pela primeira vez na vida, não consegui ver todos os filmes candidatos aos óscares antes da cerimónia. Mas perguntem-me lá o que se passa na vida das celebridades, ou quais os últimos divórcios escandalosos ou gravidezes inesperadas. Pois, isso que não é importante sei eu tudo. Santa ignorância. Nem pareço uma pessoa que gosta de se cultivar. Tenho que mudar de vida.

sábado, 2 de março de 2013

Tecnologias

Não percebo nada de tecnologias e estou extremamente frustrada.

Hoje tentei, no sentido de tentar pertencer um pouco mais à blogosfera, criar uma conta Google+ e tornar-me toda social. Não funcionou. Não percebo nada disto. Isto é só nomes complicados e coisas para as quais não fui talhada. Tentei mudar o meu nome, mas aparentemente a "política de nomes" da Google não me permitiu fazer as alterações que eu queria. Mas então, por que raio não posso eu chamar-me Miquelina de Jesus ou Maria das Dores Cucujães? Pior, ainda tentaram exigir que eu digitalizasse documentos oficiais para provar a minha identidade? Mas que raio?

Vencida, lá resolvi identificar-me correctamente. Mas e depois seguir outras pessoas? Lá andei a perscrutar os blogues que leio e, vejam só, acho que acabei por me seguir a mim mesma. Valha-me Deus.

Se alguém mais experiente que eu nestas andanças quiser dar-me umas lições desta coisa fico-vos eternamente agradecida. Olhem para mim como a pedinte mais chata de toda a blogosfera: peço-vos carros, casas e agora até ajuda para cuidar do meu próprio blogue. Tenham paciência, prometo tentar instruir-me mais um pouco da próxima vez.