sexta-feira, 15 de março de 2013

Modo "Oh-Valha-me-Deus"

Pois que para a semana é semana de exames finais e estamos oficialmente em modo "Oh-Valha-me-Deus-a-minha-vida-vai-acabar-é-desta-que-fico-sem-neurónios". Prevê-se uma semana negra, a condizer com as previsões meteorológicas, que eu sou boa menina e gosto de andar de mão dada com o tempo horroroso de lá de fora. Os últimos dias têm sido passados exclusivamente sentados à secretária, com um cházinho e umas bolachinhas a acompanhar, numa demanda louca e sem fim para atingir notas razoáveis. Nesta festa acompanham-me quatro amigas do coração: Anatomia, Estatística, Bases Físicas e Comunicação em Biomedicina (há quem lhe chame também a cadeira mais ridícula e inútil de todo o sempre, absolutamente sem interesse nenhum, tanto para o curso como apenas para uma questão de cultura geral, ainda pior do que estatística, que essa aí também gosta muito de me atormentar a vida). E portanto tenho passado os meus dias à volta de calculadoras, erros padrão, estimativas e estimadores, actividades radioactivas, decibéis, audiometrias, lentes côncavas e convexas (nunca esquecendo os míopes e os presbitas), artérias, veias, vasos linfáticos, septos intermusculares, músculos flexores, extensores, adutores e abdutores, plexos braquiais, lombares, sagrados e cervicais, entre tantas outras coisas que poderia continuar a enumerar, auto-testando-me para a semana que se avizinha, mas que a vós não vos interessa, e por esta altura já nem sequer estão a ler.

Rezem por mim, que eu vou voltar à carga. Isto é muito bonito estar uma semaninha em casa, mas o estudo chama e não se pode descurar as obrigações que este emprego, o de estudante, exige.

Bom fim-de-semana!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Parte do clube

Eu sei que este blogue não é para estas coisas, mas toda a gente fala sobre isso, e portanto parece-me lógico que eu, eloquente e fluente escritora deste blogue, um dia o supra sumo dos blogues, também me pronuncie sobre o assunto, sentindo-me, assim, cada vez mais parte da blogosfera.

HABEMUS PAPAM!

E com duas curiosidades: o novo Papa tem só um pulmão (mas não se deixem enganar pelo aspecto franzino do senhor porque o faltoso pulmão nunca o impediu de viver a sua vida normalmente e, portanto, não há-de ser agora que o impedirá) e é cientista (mais propriamente químico, mas vai quase dar ao mesmo. É dos meus carago!).

E era só isto. Hoje vou dormir mais descansada, sabendo que faço parte do super clube de bloggers que falou do Papa Francisco I, carinhosamente apelidado de "Chicco" por essa Internet fora.

E agora... Habemus anatomia!

Expedição aos produtos de limpeza

Ora, como aqui já referi, sou eu própria que faço a limpeza do meu quarto, primeiro porque já tenho idade para saber limpar e viver num local higiénico, e segundo porque os meus pais não são ricos e acho que ainda levava uma bofetada se ousasse, sequer, pedir-lhes que pagassem a alguém para limpar o meu espaço. Eu que me desenrasque, e acho muito bem que assim seja (obrigada, pais, por fazerem de mim uma pessoa responsável e autónoma).

Como já vos disse, a minha senhoria faz a limpeza às partes comuns da nossa casa (que é para não acabarmos à batatada e a arrancar cabelos umas às outras quando os planos de limpeza não fossem cumpridos) e, simpática como é (é mesmo), disse que, se eu precisasse, poderia usar os produtos de limpeza que ela tem lá pela despensa.

Assim, e com o objectivo de manter asseado o meu ninho de estudo, fui surripiando os ditos produtos de vez em quando e dei uma de dona de casa. Mas a tragédia abateu-se sobre mim quando, um dia, fui lá buscar o maravilhoso Pronto anti-estático e o desgraçado estava vazio. E fui eu que o esvaziei, porque nunca vi a D. X a pegar no dito cujo (e muito menos as minhas colegas - cof cof). Desta forma, e uma vez que aquilo é realmente maravilhoso (cheira bem, limpa melhor, deixa tudo a brilhar e evita que o pó se agarre durante mais tempo - é fantástico!), lancei-me na busca por um Pronto anti-estático só meu.

Certo dia, depois das aulas, lá fui eu até ao Continente, que é bem pertinho da minha porta, e dirigi-me imediatamente ao corredor dos produtos de limpeza. Um novo mundo apareceu diante dos meus olhos sob a forma uma panóplia infindável de produtos até agora desconhecidos: com cheiro, sem cheiro, ecológicos, verdes, azuis, cor-de-rosa, para madeira, tijoleira, aço inoxidável, específico para cozinha, casa-de-banho, exterior, desentupidor de canos, extra brilho, remoção eficaz de gorduras, com líxiva, sem lixívia, para usar directamente sobre a esponja ou misturar com água, líquido, em gel ou pó e até vegetarianos (!!!). A lista nunca mais acaba. Ignorando todos os gritos desesperados de "compra-me, eu é que sou bom e vou limpar como tu queres", chamei um senhor com a camisola do Continente por perto e disse-lhe o que queria. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos assim:

Senhor: - Então, mas quer óleo de cedro ou um líquido de limpeza normal?
Eu: - Quero um Pronto anti-estático que é um frasco grande castanho e com tampa amarela.
Senhor: - Entendo. Portanto, um líquido de limpeza. Mas temos alguns Prontos que têm óleo de cedro. Nunca notou um cheiro amadeirado quando limpa?
Eu: - Não, ele cheira bem por acaso. É castanho com tampa amarela.

O senhor começa lá a escarafunchar na prateleira e tira uma data de frascos, aparentemente todos muito parecidos.

Senhor: - Ora bem, temos estes aqui. Este é só 3-em-1, limpa, protege e cuida. Depois temos este que é 5-em-1, que também restaura e elimina manchas e preenche as picadelas da madeira. Depois temos estes para madeiras claras, madeiras escuras blá blá blá. Não me sabe dizer qual a madeira que pretende limpar? Ou se deseja algo mais geral, que dê para tudo?

Olhei para ele com um ar muito parvo.

Eu: - Eu só quero um Pronto de frasco castanho para limpar os móveis do meu quarto, que são claros.

O homem lá olhou com um ar muito pensativo para os frascos todos e já ia começar a repetir a lenga-lenga toda, quando eu lhe arranquei o mais parecido com o que queria e disse "Deve ser este". E vim-me embora. Escusado será dizer que saí de lá esgotada de tanto pensar qual o produto ideal para o tipo de madeira que habita o meu quarto.

Alguma vez se aperceberam da oferta que existe nestas coisas? Se isto é assim nos produtos de limpeza nem quero imaginar quando um dia me decidir a ir explorar o corredor dos produtos congelados, ou dos queijos, ou dos enchidos, ou dos iogurtes, ou dos produtos especiais importados, ou das bebidas alcoólicas.

E eu que pensava que já dominava o Continente, que era "a minha cena". Parece que não. Ainda tenho muito para aprender (e explorar).

PS: Acho que o Pronto que eu escolhi era o tal que eu queria mesmo. A embalagem não era exactamente igual, mas o cheiro e textura eram, por isso vou assumir que era o mesmo conteúdo mas com uma cara nova.

domingo, 10 de março de 2013

Modificações

Agora sim, está mais parecido comigo. Minimalista e com um je ne sais quoi (perdão pelo francês, não é a minha especialidade) de leveza e mais feminino (vocês não me conhecem mas não sou nenhum bicho do mato como às vezes faço parecer). Estava muito pesado e acho que vos espantava um bocado quando cá se entrava. A ver se é desta que me torno o próximo fenómeno blogosférico (inserir sarcasmo).

Opiniões/sugestões aceitam-se!

Eu ainda só estou no primeiro ano

Quando estamos no primeiro ano de Medicina, somos frequentemente confrontados com uma de duas situações:

1) As pessoas acham que ainda não sabemos nada, ou;
2) As pessoas acham que já sabemos tudo.

Nenhuma delas corresponde à realidade. Passo a ilustrar com dois exemplos:

1) As pessoas acham que ainda não sabemos nada - Há uns tempos, o meu pai foi fazer umas análises de rotina. Tirar um bocadinho de sangue, ver se andamos bem de triglicéridos, colesteróis e afins. Ora, o objectivo destas análises é entregá-las à nossa médica de família, preferencialmente fechadas, durante uma consulta onde ela nos vai dizer mundos e fundos porque andamos a abusar do sal ou dos petiscos entre refeições. Claro que o meu pai não faz nada disto. Curioso e hipocondríaco que só ele, foi levantar as análises e abriu-as de imediato. Como pessoa leiga nas andanças médicas que é, deparou-se com um novo mundo de caracteres e expressões desconhecidos e, em vez de esperar pela consulta, veio todo aflito para casa esfregar-me as análises na cara e exigir, de imediato, que lhe dissesse qual a doença maligna de que padecia. Como é óbvio, e dado que ainda estou no primeiro ano, ainda não sei avaliar correctamente um boletim de análises, apenas sei olhar para os valores obtidos e verificar se estão dentro dos parâmetros. Dei uma olhadela às análises (apenas para concluir que não sabia o que significavam metade daqueles valores) e disse-lhe: " Acho que 'tás fino e fresco que nem uma alface. Não percebo muito disto, mas acho que está tudo bem". Toda a sua expressão modificou-se e olhou para mim com um ar desconfiado: "Então está mesmo tudo bem? Mas então e este valor aqui não está muito alto? E achas que deva fazer uma dieta? Cortar no sal ou no açúcar? Eu já não como doçaria mas, nunca se sabe, enfim, pode sempre cortar-se um bocado mais. Que dizes?". "Pai, eu não percebo muito disto, por isso acho melhor esperares pela consulta. Mas não te preocupes, a sério". "Não percebes nada disto. Ainda não aprendeste nada de jeito. Vou à farmácia perguntar à Dr.ª". E saiu , deixando-me assim, com cara de parva, a olhar para a porta.

2) As pessoas acham que já sabemos tudo - Aparentemente, estamos na altura de semear alguns hortícolas, nomeadamente batatas (não sou especializada neste assunto, apenas vejo os meus avó lá no campo a plantar coisas na terra). Após um dia de trabalho, a minha avó veio até mim, com a cara branca que nem cal e disse: "Ai filha, dói-me tanto as costas. Achas que isto pode ser rins?". Ainda não percebo muito sobre boletins de análises, mas se há coisa que já aprendi é que ninguém se aguenta em pé se tiver uma dor de rins a sério. Disse-lhe imediatamente "Não, impossível, isso é das costas. Andaste a tarde toda no campo de rabo para cima, toda torta, obviamente que isso é costas". Ela olhou para mim com um ar muito sério e disse, muito orgulhosa "Fogo, tu percebes mesmo disto, hás-de ser uma grande médica." E deu-me um abraço, como se eu tivesse acabado de lhe dar a melhor notícia da vida dela. Mal ela sabe que ainda percebo muito pouco disto, apenas o suficiente para saber que se a dor dela fosse, efectivamente de rins, ela nem tinha tempo para me perguntar o que se estava a passar.

Isto tudo para esclarecer duas coisas: no primeiro ano é certo que ainda aprendemos muito pouco, mas a verdade é que já aprendemos alguma coisa, porque se assim não fosse, qual o objectivo de existir o primeiro ano?

Portanto, amigos, não me venham pedir conselhos médicos sobre qual o melhor medicamento ou o que aconselho quando vos dói aqui ou acolá. Perguntem-me estruturas anatómica e onde fica o quê. Perguntem-me coisas de biologia (da pesada), porque também já aprendi. Coisas efectivamente de clínica, lamento desiludir-vos, mas ainda não estou apta para tanto! Daqui a uns anitos falamos.