domingo, 4 de agosto de 2013

Agora para algo mais sério

Apesar de os meus posts terem sempre um pouco de brincadeira e malvadez à mistura, também reconheço quando devo ser mais séria e alertar-vos para certas coisas.

Ainda no âmbito do último post, há duas coisas importantes que aprendi no curso de Primeiros Socorros e que penso serem importantes partilhar convosco. A saber:

1. Quando alguém tem aquilo a que vulgarmente chamamos de "quebra de tensão", o senso comum ordena que lhe demos um copinho de água com açúcar. Tudo muito bem. E se a pessoa for diabética? Pois. Tem havido vários casos de pessoas diabéticas que ficam com lesões graves porque, num caso desses, não lhe é administrada glicose. Em caso de dúvida, dêem SEMPRE açúcar ao indivíduo, mesmo que este seja diabético. É muito mais grave a falta de açúcar do que excesso do mesmo. No caso de a pessoa já estar mais para lá do que para cá, esfreguem açúcar (façam uma papa com umas gotas de água) nas bochechas da pessoa, para que a absorção seja mais rápida.

2. Se alguém tiver um ataque epiléptico, NUNCA tentem segurá-lo/a, impedindo os seus movimentos. Há uns tempos morreu um jovem que teve um ataque epiléptico porque alguém lhe segurou na cabeça e, com a violência do ataque, o rapaz partiu o pescoço (pelo menos foi o que disse o senhor que nos fez a formação). Também não lhe coloquem nada na boca (embora isto aqui já seja mais usual de se ouvir e a maioria das pessoas sabem).

Tenham atenção que eu não sou médica (ainda) e isto não é um consultório médico, portanto, em caso de dúvida, liguem sempre para o 112. Isto são apenas duas coisas que achei importante partilhar convosco, porque nem eu própria sabia, e faria o contrário caso me visse nessa situação.

E agora voltamos ao tom do costume.


Suporte Básico de Vida + Primeiros Socorros

Pois que nos entretantos desta ausência prolongada (estão à vontade para admitir que tinham saudades minhas), muita coisa aconteceu. Ao longo dos próximos dias vou contar algumas das peripécias pelas quais tenho passado e que, ainda assim, não são desculpa para não pôr aqui as patas durante tanto tempo.

Primeiro, e mais importante que tudo: sintam-se à vontade para ter um fanico à minha beira, porque a minha pessoa passou com distinção nos cursos de Suporte Básico de Vida e Primeiros Socorros. Mas atenção, não se estiquem, porque, embora já saiba mais alguma coisa do que aquela que sabia quando vos abandonei (perdoem-me), há ainda muito saber médico que desconheço. Assim, e para facilitar o meu socorro quando se sentirem mal, apresentem-se à minha beira apenas nas seguintes situações:

- Paragem Cardíaca + Respiratória (mas levem telemóvel para chamar o 112), ou seja, quando já estiverem mais para lá do que para cá;
- Paragem Respiratória mas não Cardíaca (continuem a levar o telemóvel), ou seja, quando vos faltar o ar mas ainda estiverem deste lado;

NOTA: As situações acima descritas podem ocorrer em lactentes, crianças e adultos, que eu não sou esquisita e aprendi a ressuscitar-vos a todos.

- Hiper ou Hipoglicemia
- Ataques epilépticos
- Outras situações que requeiram Socorros Básicos (mas só básicos, não me venham lá com coisas presas na garganta, hemorragias extensas nem nada disso, porque a única coisa que sei fazer nessas situações é chamar o 112 e fazer-vos festinhas na testa. Vocês é que pediram a minha ajuda).

Para complementar os meus cursinhos que até me fizeram sentir importantes, recebi uma brincadeira destas, que passeia agora alegremente na minha carteira ou no meu carro, consoante. Não é que eu não saiba fazer respiração boca-a-boca, mas pronto, sempre é um pouco mais higiénico e ajuda na minha luta de prevenir que a herpes se espalhe (ainda) mais por esse mundo fora.

E agora estou à vossa disposição!





Juras

Prometo não voltar a arranjar desculpas esfarradas. Exames, férias, desgostos e afins não são desculpa para não fazer algo que se gosta. Pelo contrário!

Ai que saudades!

Volto já.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Ainda não foi desta...

... que se livram de mim! Ainda não estou de volta a sério, porque o meu belo computador, que tem dado muitos problemas ultimamente, desta vez pifou à séria. Pifado para um orçamento de, no mínimo, cem euros. Coisa pouca. Por isso, cá me vou entretendo com Sistema Nervoso, que também me tem dado cabo da cabeça, e basicamente é essa a minha vida. Nada de novo.


Por isso, e enquanto o meu computador não está de volta e de boa saúde, não ouvirão de mim, mas eu não me esqueço disto aqui.



Devido a comentários menos simpáticos noutros posts, informo também que, a partir de agora, os comentários passarão a ser moderados. Com isto quero dizer que toda e qualquer manifestação da vossa parte irá passar pelo crivo da minha razão e do meu poder como dona aqui do estaminé.



Até breve (espero)!



PS: Quem me quiser oferecer um computador, esteja à vontade, por favor. Isto é desesperante.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O Governo e as declarações

Após quatro dias de exclusão blogosférica (depois de uma avaria no computador que só reafirma o meu horror pela informática), estou de volta, ilustres leitores, para alegrar o vosso dia falando acerca das minhas inutilidades médicas.

Provavelmente já terão lido esta notícia. Ainda não estou no meio médico a exercer, e posso até nem entender verdadeiramente o que estas declarações implicam, mas gostaria que alguém me esclarecesse algumas dúvidas que pairam na minha cabeça. Especialmente porque eu, aluna do primeiro ano, longe de acabar o curso e muito menos de exercer, já fui presenteada algumas vezes com os referidos produtos dos senhores delegados de propaganda médica.

Em Dezembro fizemos dois estágios: um em hospital e outro nos centros de saúde. Não fizemos nada de jeito, basicamente andámos atrás dos médicos a ver como as coisas são feitas e como funcionam os "bastidores", etc e tal. Mas a verdade é que, várias vezes durante essas duas semanas, fui percebendo o que está por trás daquilo que nós achamos que é o dia-a-dia num centro de saúde/hospital. Assisti, por diversas vezes, a reuniões à hora de almoço, antes ou depois do serviço, com inúmeras personagens que, vim depois a saber, eram, nada mais nada menos, do que delegados de informação (ou propaganda, como queiram) médica. E a verdade é que também eu fui apanhada pela febre desses senhores: recebi lápis, blocos, marcadores e outros artigos de papelaria. E gostei.

A questão que eu aqui coloco é: será assim tão importante declarar o valor dos objectos recebidos? Não deveria o governo esforçar-se por, em vez de exigir a declaração dos valores, exigir a declaração do nome das farmacêuticas que nos "subornam" com estes bens? Porque, para mim, meus caros, o core da situação é esse mesmo. Sinceramente, acho um pouco ridículo declarar coisas que valem 10 ou 20 cêntimos, mas o motivo por detrás disso, esse sim, acho verdadeiramente importante ser declarado. Sei bem que isto não é possível, e politiquices e economias não são comigo, mas já ando neste mundo há 20 anos e, nos poucos meses de estudante de Medicina que levo, já consegui entender que a saúde é, acima de tudo, um negócio. Para os médicos, para os hospitais e, sobretudo, para as farmacêuticas, as malvadas. E como qualquer outro negócio, gira à volta de dinheiro, de promessas disto e daquilo. E não é muito difícil concluir que muitas das situações ocorridas no meio médico são movidas por outros interesses que não a saúde dos doentes. E é feio admitir, mas é a verdade. E não é o mais correcto para com os doentes, mas é a verdade também. E todo o ser humano gosta de receber presentes de vez em quando, e pode acontecer que acabe por se esquecer daquilo que é a verdadeiramente importante na sua profissão: colocar os doentes acima de tudo e sempre, em qualquer circunstância, atender ao que é melhor para eles, seja em termos de composição química de um medicamento propriamente dito, ou em termos do preço do mesmo, que muitas vezes é um impeditivo à sua compra. Valerá assim tanto a pena esquecer-se destas coisas tão importantes para receber não sei o quê?

Certamente que é muito apelativo mas... Será correcto?