terça-feira, 20 de agosto de 2013

Leituras

A faculdade tirou-me a vontade de ler.

Até ao passado ano, ler era comigo. Ia tudo: literatura da pesada, da mais fraquita, romances, policiais, portugueses, estrangeiros, enfim, ler nunca foi um problema. E ao contrário do que vejo a maioria das pessoas fazerem (corrijam-me se estiver errada), nunca deixei as leituras leves para o Verão. Pelo contrário, sempre optei por deixar os livros mais pesados para a altura do Verão, que assim não tenho a cabeça tão ocupada com coisas da escola e posso concentrar-me mais nos livros que assim o exigem.

Mas este ano foi diferente, e a tragédia abateu-se sobre esta mente, outrora tão culta e dedicada, tornando o meu cérebro do tamanho de, sensivelmente, uma ervilha. A vontade de ler foi-se. Sumiu. Desapareceu. Ardeu no inferno e não voltou. E isto é triste, meus amigos.

Desde Setembro (de DOIS MIL E DOZE) li TRÊS livros, dos 2089 que tenho na minha lista de leitura, que vai sendo constantemente renovada (ultimamente só tem crescido, porque não há maneira de dar vazão a tanto livro que vou acrescentando). Isto é grave, é triste e absolutamente deprimente.

Um dos meus planos no Verão é sempre ler. Ler muito e ler com qualidade. Desde o início de Julho li pouco mais de 100 páginas de um livro. E tenho mais três, de peso, à espera na mesa de cabeceira: Gabriel Garcia Marquéz, Charlotte Brontë e Carlos Ruiz Zafón. Por este andar, desconfio que vou chegar ao fim do curso e eles ali, com uma bela camada de pó em cima e manchas castanhas típicas de livro velho que não é tocado desde o século passado.

A culpa é da faculdade! Obriga-me a ler o ano inteiro e depois dá nisto.

Se alguém souber de uma farmácia onde se compre paciência e vontade de ler agradeço que me informe. Com urgência. Obrigada.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Litros de Sangue

Vocês não me conhecem assim tão bem, mas posso dizer-vos que apesar de toda esta malvadez que faço transparecer por aqui, eu até sou boa menina e gosto de ajudar os outros (mas só as vezes).

Quando fiz 18 anos, o que já vai há uma eternidade, decidi que ia dar sangue. Depois acobardei-me um bocado e quando lá fui pela primeira vez inventei uma doença qualquer que tivesse tido na última semana para o questionário e fui recusada como dadora. Coloquei o semblante mais desolado que consegui, embora por dentro estivesse a esfregar as mãos de felicidade e a proferir um riso maléfico, e vim embora. Cheguei a casa e a minha consciência resolveu dar sinais de vida e dizer-me que era imperdoável a minha má acção e conduta. Lá andei a matutar no assunto, a fazer investigação ao tamanho das agulhas, às litradas de sangue que ia perder, quais os efeitos secundários e se alguém alguma vez tinha morrido no decurso de uma generosa dádiva de sangue, e comecei a preparar-me mentalmente. Posto isto, e depois de ter concluído que eram mais macaquinhos no sótão do que outra coisa, enchi-me de coragem e lá voltei umas semanas depois.

Correu tudo muito bem da primeira vez que fui dar sangue, embora tenha uma história engraçada sobre o que aconteceu depois, mas isso fica para o outro post. A partir daí tornei-me dadora de sangue, pelo menos até chegar ao segundo ou terceiro ano deste curso, altura em que me vão recusar por ser estudante de Medicina (Oi?). Não custa nada, é só uma pica e ainda saímos de lá com um lanchinho à pala (que ninguém nos quer ver a falecer depois de sair) e com menos para aí meio quilito em cima da balança. Só vantagens.

Assim, e porque acho importante sermos dadores de sangue, venho partilhar convosco este evento:



Amanhã, dia 16, irá decorrer no Marshopping, em Matosinhos, uma dádiva de sangue e inscrição para a base de dados mundial de dadores de medula óssea, bem pertinho de minha casa. Eu, em princípio, passarei por lá, não para dar sangue, porque dei em Junho, mas para me inscrever na base de dados de dadores de medla, coisa que há muito quero fazer, mas ainda não tinha tido disponibilidade. Isto é, se não me recusarem. Podem ver mais informações aqui.

Dar sangue é importante. O sangue é um dos componentes biológicos que só pode ser obtido por recolha directa de outra pessoa, e portanto, é nosso dever contribuirmos com o nosso bracinho e um pouco do nosso tempo. Fácil, rápido e eficaz, não custa nada!

Se não puderem ir amanhã mas tiverem ficado interessados em iniciar esta nova etapa da vossa vida, podem sempre consultar o site do IPST e informar-se de todos os sítios onde podem dar sangue, aqui. Existem também campanhas de dádiva em unidades móveis (uns autocarros cheios de pinta, com umas macas bem confortáveis, consultório todo XPTO, um mimo, digo-vos!), por isso é só quererem! E não arranjarem desculpas como eu...

Boas dádivas!


terça-feira, 13 de agosto de 2013

As minhas queridas boleias

Muita gente me pergunta como é que é possível eu conseguir vir a casa todas as semanas, uma vez que moro a sensivelmente 265km do monte. Alguns pensam que eu sou a WonderWoman, outros simplesmente desconfiam das minhas capacidades académicas e assumem que deixo o estudo para último plano só para vir dar uma curva. Errado *inserir som daqueles mesmo irritantes que dão nos concursos de televisão quando alguém erra alguma pergunta que lhes poderia valer 3000€*.

Primeiro de tudo: seria inconcebível, para mim, não tentar vir a casa o máximo de vezes possível. Já aqui vos disse aí umas trinta vezes que adoro demais a minha vidinha à beira da praia, e portanto, passar 15 dias sem pôr a vista em cima das minhas Caraíbas privativas não é opção.

Segundo: Eu não gosto do monte, assumidamente. E se há colegas que não se importam de ficar lá 1 mês ou o que seja seguido, eu não sou assim. Os meus amiguinhos do coração estão aqui, bem como os meus pais e todas as pessoas de quem gosto.

Terceiro: Não sei se já vos disse, mas antes de ter ido para o monte, estive na faculdade noutro curso no Porto. E portanto, aproveitei tudo de bom que aquela academia teve (e tem) para me oferecer. E (desculpem pessoas que adoram o monte, nada contra, atenção!) quem por aqui passou não quer mais nada. Por isso continuo a vir praxar os caloiros da minha antiga casa e a participar no máximo de actividades que consigo.

Assim, e de modo a satisfazer as minhas necessidades básicas de sobrevivência, tento vir todas as semanas a casa. Eu quero lá saber se são mais de 500km ida e volta, eu até gosto de passear. Este ano consegui fazê-lo todas as semanas, para o ano é que vai ser mais complicado. Para não pensar muito no assunto e tentar relaxar já comprei um tapete de ioga e saquei uns vídeos que me vão permitir ultrapassar 15 dias (ou mais, se necessário) no monte. Depois preocupo-me com isso. 

Mas, e dizem vocês muito bem, isto de fazer viagens longas tem muito que se lhe diga. Não é de ânimo leve que uma pessoa se enfia num autocarro para fazer uma viagem de 3 ou 4 horas, conforme o trajecto e o peso do pé do motorista.

Por isso, e há que louvar a faculdade e a associação de estudantes quando merecem, a AE lá do sítio criou um banco de boleias no seu site. Para além disso, existe ainda uma página de facebook "Boleias de/para o Monte" (não com este nome, como é lógico), que já se encontra na barra de favoritos do meu computador, logo ali em lugar de destaque que eu não quero perder nada. A ideia é, como já devem ter percebido, promover a partilha de uma viatura, dividindo as despesas entre todos, e conseguir fazer uma viagem mais rápida, cómoda e acessível. Ainda por cima, como sou de uma cidade onde existem muitos estudantes deslocados como eu, é relativamente fácil encontrar alguma alma caridosa que me leve a mim e aos meus 327kg de mala pelos caminhos tortuosos da A1, A25 e A23. Amén.

Como é óbvio, pode e com certeza haverá riscos. Mas para isso existe também o bom senso. Tento sempre vir com pessoas do meu curso, que conheça ou pelo menos já tenha visto (só para lhes tirar a pinta, claro), a horas decentes, etc e tal. A história do costume. Até hoje, só me deixaram ficar mal uma vez. Depois vamos marcando o nosso lugarzito, arranjando boleias fixas, e a coisa até se faz mais ou menos bem. Pelo menos eu já estou habituada.

E assim se sobrevive a mais uma semana, sempre na expectativa de entrar num carro conhecido e arrancar a todo o gás para casa. E que bem que sabe começar a ver as placas a dizer Porto. E que bem que sabe passar pela ponte do Freixo e ver aquela maravilhosa paisagem da Ribeira, ali à minha espera para me oferecer mais uma bela noite com os meus amigos.

Que bem que sabe chegar a casa.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

As férias

Quando entrei de férias, a minha vida deixou de fazer sentido.

Nos primeiros tempos, o facto de não ter que estudar todos os dias, ou simplesmente não ter que olhar para os grandes calhamaços de Anatomia ou Sistema Nervoso todos os deixaram um vazio no meu coração. Por boas razões, como é óbvio. Ainda assim, o ajuste a esta vida de ócio temporária foi um pouco turbulento de início.

Passado o choque inicial, uma questão assolou a minha cabeça: o que é que eu vou fazer estas férias?

Comecei imediatamente uma lista de tarefas. A saber:

1. Ir a sítio X, Y e Z com o namorado;

2. Ir à praia sempre que possível;

3. Ir de férias com os pais;

4. Colocar a minha cultura cinéfila em dia;

5. Ver 3 ou 4 séries que tenho aqui empatadas no computador há uns mesitos;

6. Ler os 3 livros que estão ali na mesa de cabeceira;

7. Fazer jantaradas e apanhar umas bebedeiras com os amigos;

8. Fazer uma arrumação geral e profunda ao meu quarto;

9. Jogar Sims (sim, tenho um problema grave com este jogo);

10. Não pensar no monte até Setembro.

Tudo isto parece perfeito, e na verdade até é, mas só até eu me aperceber que AS FÉRIAS NÃO CHEGAM PARA FAZER ISTO TUDO.

Posto isto, em vez de aproveitar todos os segundos até à exaustão, por vezes dou por mim a deprimir e a pensar em tudo o que não posso fazer. Burrice extrema, nada a que eu não esteja habituada.

Apesar disto tudo, considero que estas férias, para já, estão a ser bastante produtivas. Talvez por saber que agora o tempo aqui passado é limitado. Curioso como colocamos a nossa vida em perspectiva quando alguma coisa muda de forma radical.

Por isso, este verão já:

1. Fiquei mais morena do que alguma vez na minha vida;

2. Passeei mais do que em algum outro Verão;

3. Vi mais filmes e séries do que noutra altura;

4. Ouvi muita e boa música;

5. Diverti-me como há muito não o fazia.

Por fazer ainda está a arrumação (bleh), por razões óbvias... Se me quiserem ajudar, sejam muito bem-vindos!

E agora, com licença, vou aproveitar mais um pouco a vida.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mudanças

A Princesa saiu lá de casa (obrigada, Deuses dos estudantes!), o que foi motivo para festejar durante 3 noites seguidas, do género de um casamento cigano. Ora, eu afinfei logo o quarto dela à senhoria, por várias razões: é maior, não se ouve tanto barulho e eu gosto do meu canto e da minha privacidade.

Assim sendo, na semana de férias dos meus pais, lá fui eu para a terra maldita outra vez. Nem nas férias me livro daquele sítio. Ele foi transportar livros de um lado para o outro (e são muitos, vocês sabem), fazer e desfazer camas, levar roupas, lençóis, toalhas e outros que tais de um lado para o outro. 7h, 500 kilómetros e muitas dores de costas depois, lá voltei ao meu canto predilecto, a minha verdadeira casa.

Surge agora outra questão. Embora eu, assumidamente, não gostasse da Princesa, por muitas e variadas razões, a verdade é que tenho um pouco de receio da futura colega de casa. Ficam alguns dos cenários possíveis, bons e maus:

1. É uma nova aluna, que vai para o primeiro ano, simpática, querida e amigável, que não faça muito barulho e que queira, efectivamente, estudar e estar na paz do Senhor. Ouvirá todas as minhas recomendações e ficará debaixo da minha asa enquanto eu, maravilhosa colega de casa, lhe passarei todos os ensinamentos e mostrar-lhe-ei o que é viver em comunidade;

2. É uma nova aluna, que vai para o primeiro ano, mas que está ansiosa por sair de casa e vai achar que a sua nova casa se assemelha a um bordel. Festanças pela noite dentro, bebedeiras e jantaradas, noites sem dormir. Prevê-se que não passe do primeiro ano (acreditem que há muitas assim);

3. Aluna actual da faculdade, cansada das terríveis colegas de casa, que finalmente consegue encontrar uma casa onde reina a paz e o sossego. Compincha e conviva, está disposta a emprestar-me os seus apontamentos dos anos anteriores. Desvantagem: vai acabar o curso primeiro do que eu, e portanto a história repetir-se-á, com novas colegas de casa e os mesmos problemas de agora;

4. Aluna actual da faculdade, cansada das terríveis colegas de casa, que não a deixam fazer as jantaradas e festarolas a que todo o estudante universitário tem direito. Assim, anda a pinchar de um ano para o outro de casa em casa, na esperança de encontrar colegas tão ou mais pifadas do capacete do que ela. Desvantagem: já reprovou algumas vezes, nunca mais vai acabar o curso. Consequentemente, quando já não a aguentar mais, lá vou ter que pegar nas trouxas e mudar eu de casa, para bem da minha sanidade mental;

Dramas à parte, a minha senhoria pediu-me, encarecidamente, que envie um e-mail para os alunos com a informação de que se aluga um quarto.

Ainda não o fiz, estou a ganhar coragem.