terça-feira, 3 de setembro de 2013

The Final Countdown

Daqui a uns dias estou de volta àquela que, não sendo a minha segunda casa, o é, na verdade. Por isso, nestes últimos dias tenho tentado, de forma desesperada e sôfrega, agarrar-me a todos os segundos que posso aproveitar, como se a minha vida dependesse disso e nada mais fizesse sentido.

Estas férias passaram depressa. Depressa demais. Deixo tanto por fazer, tanto por ver, tantos filmes para ver e livros por ler. Deixo novamente os meus amigos sem cumprir todos os jantares prometidos, deixo a minha praia e o meu quarto, que nas últimas horas fica cada vez mais confortável.

À medida que o tempo passa só fica mais difícil sair mais um domingo à noite de casa e saber que só se volta na quinta ou sexta-feira a seguir. 

E depois começamos a pensar em todas as coisas que vamos perder nas próximas semanas: Amiga X faz anos dia 23 - não estou cá; Amigos vão fazer jantar de ano na primeira semana de aulas - não estou cá; Mãe vai à consulta de neurocirurgia - quero ir, mas não estou cá; Avó vai fazer uma cirurgia - não estou cá. Concerto no coliseu em Novembro - não estou cá. EU faço anos e não sei se estarei cá...

E estas coisas pesam. Não tanto pelo estar fora, mas por saber aquilo que estou a perder. E eu sei que devia mudar a atitude, pensar que é uma oportunidade, é o futuro, mas não dá.

Tento pensar que o tempo passa depressa, e passa, que o próximo fim-de-semana vai chegar rápido, que vai. Mas aí chegamos à conclusão que o tempo passa depressa demais, e que aquilo que queremos aproveitar rapidamente desaparece e dá lugar a mais responsabilidades e a mais uma semana de trabalho árduo.

Às vezes penso se vale a pena o esforço, se não teria sido melhor ter ficado em Medicina Dentária, na paz dos anjos. A ambição é lixada... Quero pensar que vale a pena.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Coisas que gosto... #4

Uma das coisas que gosto nisto de estudar longe é ter dois quartos.

Dois quartos equivale ao dobro da diversão no que toca a decorações e afins. E isso é uma coisa que eu gosto, que eu sou cá das ciências mas também tenho algures escondida em mim uma veia de artista prestes a ser explorada.

Já aqui vos disse que este ano mudei de quarto. Continuo na mesma casa, mas mudei-me para o quarto da ponta, onde reina o sossego e toda a paz que eu tanto gosto. O quarto é bastante maior, pelo que me deparei, após a mudança, com uma tela em branco, tal o potencial decorativo do meu futuro ninho.

Assim, na sexta-feira agarrei na minha mãe e fomos passear para o IKEA. Nunca me pareceu tão bonito. Subitamente, um novo mundo se abriu diante de mim, com infinitas possibilidades de decoração que nunca antes me tinham passado pela cabeça. De repente, tudo me parecia útil e passível de ser adquirido porque, mesmo que comece a acumular coisas, há sempre espaço para mais uma velinha, uma moldura ou outra coisa qualquer terminada em -inha. E assim lá fomos nós as duas explorar os corredores intermináveis na loja que prega pelo "faça você mesmo". Não costumo comprar mobília no IKEA, mas confesso que compro imensa coisa para decorar, e arranjo sempre coisas que adoro. Desta vez saí de lá com uma base para a secretária, uns pins para o quadro magnético e uma velinha para perfumar o espaço. Parece pouco, mas garanto-vos que caminhei muitos quilómetros, e investiguei tudo e mais alguma coisa: tapetes, lençóis, almofadas, cortinas e outros que tais. E ainda lá hei-de voltar para pôr as unhas nuns tapetes que andei a mirar e me piscaram o olho sem a minha mãe ver.

A desvantagem de ter dois quartos, no entanto, é ter também o dobro da limpeza para fazer e do trabalho a arrumar. Porque isto é tudo muito bonito andar a embelezar tudo e mais alguma coisa, mas depois quem limpa? Pois. Eu. Claro.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Leituras

A faculdade tirou-me a vontade de ler.

Até ao passado ano, ler era comigo. Ia tudo: literatura da pesada, da mais fraquita, romances, policiais, portugueses, estrangeiros, enfim, ler nunca foi um problema. E ao contrário do que vejo a maioria das pessoas fazerem (corrijam-me se estiver errada), nunca deixei as leituras leves para o Verão. Pelo contrário, sempre optei por deixar os livros mais pesados para a altura do Verão, que assim não tenho a cabeça tão ocupada com coisas da escola e posso concentrar-me mais nos livros que assim o exigem.

Mas este ano foi diferente, e a tragédia abateu-se sobre esta mente, outrora tão culta e dedicada, tornando o meu cérebro do tamanho de, sensivelmente, uma ervilha. A vontade de ler foi-se. Sumiu. Desapareceu. Ardeu no inferno e não voltou. E isto é triste, meus amigos.

Desde Setembro (de DOIS MIL E DOZE) li TRÊS livros, dos 2089 que tenho na minha lista de leitura, que vai sendo constantemente renovada (ultimamente só tem crescido, porque não há maneira de dar vazão a tanto livro que vou acrescentando). Isto é grave, é triste e absolutamente deprimente.

Um dos meus planos no Verão é sempre ler. Ler muito e ler com qualidade. Desde o início de Julho li pouco mais de 100 páginas de um livro. E tenho mais três, de peso, à espera na mesa de cabeceira: Gabriel Garcia Marquéz, Charlotte Brontë e Carlos Ruiz Zafón. Por este andar, desconfio que vou chegar ao fim do curso e eles ali, com uma bela camada de pó em cima e manchas castanhas típicas de livro velho que não é tocado desde o século passado.

A culpa é da faculdade! Obriga-me a ler o ano inteiro e depois dá nisto.

Se alguém souber de uma farmácia onde se compre paciência e vontade de ler agradeço que me informe. Com urgência. Obrigada.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Litros de Sangue

Vocês não me conhecem assim tão bem, mas posso dizer-vos que apesar de toda esta malvadez que faço transparecer por aqui, eu até sou boa menina e gosto de ajudar os outros (mas só as vezes).

Quando fiz 18 anos, o que já vai há uma eternidade, decidi que ia dar sangue. Depois acobardei-me um bocado e quando lá fui pela primeira vez inventei uma doença qualquer que tivesse tido na última semana para o questionário e fui recusada como dadora. Coloquei o semblante mais desolado que consegui, embora por dentro estivesse a esfregar as mãos de felicidade e a proferir um riso maléfico, e vim embora. Cheguei a casa e a minha consciência resolveu dar sinais de vida e dizer-me que era imperdoável a minha má acção e conduta. Lá andei a matutar no assunto, a fazer investigação ao tamanho das agulhas, às litradas de sangue que ia perder, quais os efeitos secundários e se alguém alguma vez tinha morrido no decurso de uma generosa dádiva de sangue, e comecei a preparar-me mentalmente. Posto isto, e depois de ter concluído que eram mais macaquinhos no sótão do que outra coisa, enchi-me de coragem e lá voltei umas semanas depois.

Correu tudo muito bem da primeira vez que fui dar sangue, embora tenha uma história engraçada sobre o que aconteceu depois, mas isso fica para o outro post. A partir daí tornei-me dadora de sangue, pelo menos até chegar ao segundo ou terceiro ano deste curso, altura em que me vão recusar por ser estudante de Medicina (Oi?). Não custa nada, é só uma pica e ainda saímos de lá com um lanchinho à pala (que ninguém nos quer ver a falecer depois de sair) e com menos para aí meio quilito em cima da balança. Só vantagens.

Assim, e porque acho importante sermos dadores de sangue, venho partilhar convosco este evento:



Amanhã, dia 16, irá decorrer no Marshopping, em Matosinhos, uma dádiva de sangue e inscrição para a base de dados mundial de dadores de medula óssea, bem pertinho de minha casa. Eu, em princípio, passarei por lá, não para dar sangue, porque dei em Junho, mas para me inscrever na base de dados de dadores de medla, coisa que há muito quero fazer, mas ainda não tinha tido disponibilidade. Isto é, se não me recusarem. Podem ver mais informações aqui.

Dar sangue é importante. O sangue é um dos componentes biológicos que só pode ser obtido por recolha directa de outra pessoa, e portanto, é nosso dever contribuirmos com o nosso bracinho e um pouco do nosso tempo. Fácil, rápido e eficaz, não custa nada!

Se não puderem ir amanhã mas tiverem ficado interessados em iniciar esta nova etapa da vossa vida, podem sempre consultar o site do IPST e informar-se de todos os sítios onde podem dar sangue, aqui. Existem também campanhas de dádiva em unidades móveis (uns autocarros cheios de pinta, com umas macas bem confortáveis, consultório todo XPTO, um mimo, digo-vos!), por isso é só quererem! E não arranjarem desculpas como eu...

Boas dádivas!


terça-feira, 13 de agosto de 2013

As minhas queridas boleias

Muita gente me pergunta como é que é possível eu conseguir vir a casa todas as semanas, uma vez que moro a sensivelmente 265km do monte. Alguns pensam que eu sou a WonderWoman, outros simplesmente desconfiam das minhas capacidades académicas e assumem que deixo o estudo para último plano só para vir dar uma curva. Errado *inserir som daqueles mesmo irritantes que dão nos concursos de televisão quando alguém erra alguma pergunta que lhes poderia valer 3000€*.

Primeiro de tudo: seria inconcebível, para mim, não tentar vir a casa o máximo de vezes possível. Já aqui vos disse aí umas trinta vezes que adoro demais a minha vidinha à beira da praia, e portanto, passar 15 dias sem pôr a vista em cima das minhas Caraíbas privativas não é opção.

Segundo: Eu não gosto do monte, assumidamente. E se há colegas que não se importam de ficar lá 1 mês ou o que seja seguido, eu não sou assim. Os meus amiguinhos do coração estão aqui, bem como os meus pais e todas as pessoas de quem gosto.

Terceiro: Não sei se já vos disse, mas antes de ter ido para o monte, estive na faculdade noutro curso no Porto. E portanto, aproveitei tudo de bom que aquela academia teve (e tem) para me oferecer. E (desculpem pessoas que adoram o monte, nada contra, atenção!) quem por aqui passou não quer mais nada. Por isso continuo a vir praxar os caloiros da minha antiga casa e a participar no máximo de actividades que consigo.

Assim, e de modo a satisfazer as minhas necessidades básicas de sobrevivência, tento vir todas as semanas a casa. Eu quero lá saber se são mais de 500km ida e volta, eu até gosto de passear. Este ano consegui fazê-lo todas as semanas, para o ano é que vai ser mais complicado. Para não pensar muito no assunto e tentar relaxar já comprei um tapete de ioga e saquei uns vídeos que me vão permitir ultrapassar 15 dias (ou mais, se necessário) no monte. Depois preocupo-me com isso. 

Mas, e dizem vocês muito bem, isto de fazer viagens longas tem muito que se lhe diga. Não é de ânimo leve que uma pessoa se enfia num autocarro para fazer uma viagem de 3 ou 4 horas, conforme o trajecto e o peso do pé do motorista.

Por isso, e há que louvar a faculdade e a associação de estudantes quando merecem, a AE lá do sítio criou um banco de boleias no seu site. Para além disso, existe ainda uma página de facebook "Boleias de/para o Monte" (não com este nome, como é lógico), que já se encontra na barra de favoritos do meu computador, logo ali em lugar de destaque que eu não quero perder nada. A ideia é, como já devem ter percebido, promover a partilha de uma viatura, dividindo as despesas entre todos, e conseguir fazer uma viagem mais rápida, cómoda e acessível. Ainda por cima, como sou de uma cidade onde existem muitos estudantes deslocados como eu, é relativamente fácil encontrar alguma alma caridosa que me leve a mim e aos meus 327kg de mala pelos caminhos tortuosos da A1, A25 e A23. Amén.

Como é óbvio, pode e com certeza haverá riscos. Mas para isso existe também o bom senso. Tento sempre vir com pessoas do meu curso, que conheça ou pelo menos já tenha visto (só para lhes tirar a pinta, claro), a horas decentes, etc e tal. A história do costume. Até hoje, só me deixaram ficar mal uma vez. Depois vamos marcando o nosso lugarzito, arranjando boleias fixas, e a coisa até se faz mais ou menos bem. Pelo menos eu já estou habituada.

E assim se sobrevive a mais uma semana, sempre na expectativa de entrar num carro conhecido e arrancar a todo o gás para casa. E que bem que sabe começar a ver as placas a dizer Porto. E que bem que sabe passar pela ponte do Freixo e ver aquela maravilhosa paisagem da Ribeira, ali à minha espera para me oferecer mais uma bela noite com os meus amigos.

Que bem que sabe chegar a casa.