quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Impossibilidades

Só queria poder estar aqui.

Em vez disso estou na cama, a deprimir e choramingar, e a treinar a apresentação que me impossibilita de estar onde devia estar hoje.

Será possível odiar cada vez mais este sítio???

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Tive zero na Oral

Uma vergonha, um ultraje, um crime, uma calamidade. Uma facada no ego.

A parte boa é que aquilo vale praticamente zero, e, embora não me faça sentir melhor, mais de metade  do ano foi corrido a zeros.

O objectivo da oral era indicar meia dúzia de estruturas básicas perante o professor mais intimidante e horripilante que esta faculdade já teve o desprazer de contratar.

Assim, vai a minha pessoa descansadinha da vida para o laboratório de Anatomia, e o professor diz, na voz típica de quem está enjoado de ver corações a manhã toda, para começar a ler o cartão e a despachar as estruturas, que isto de avaliar miúdos com a mania que são talhantes a manhã toda é uma chatice.

Aponta a primeira estrutura bem, aponta a segunda e a terceira, aponta ainda a quarta, e chega ao Ventrículo Direito. Aqui a burra faz asneira à primeira e aponta ligeiramente mais à esquerda do que deve.

"Tem a certeza?" - Diz ele a olhar de lado para mim.

Recomponho-me, começo a tremer que nem varas verdes, engulo em seco, e vamos lá recomeçar.

"É nesta zona" - E aponto, desta feita, correctamente.

Sorriso amarelo, rejubilo na cara do homem. 

"Desculpe lá, mas você continua aí a apanhar um pouco do septo. Tem zero. Pode ir embora. Bom fim-de-semana e boa sorte para o exame" - Sorriso ainda mais amarelo.

Fiquei com cara de estúpida, branca que nem cal, e com o coração a escorregar nas mãos, a olhar para ele. Ainda tentei refutar, mas o homem fez de conta que eu nem existia e disse, naquele tom anasalado de quem tenta evitar o cheiro a putrefaccção: "PRÓXIMO". Aquilo mais parecia uma caixa registadora.

Ponto número 1: Detesto que me tratem por você. Não é preciso esfregarem na minha cara que já tenho 21 anos e que caminho para a terceira idade. Eu tenho bem noção das coisas.

Ponto número 2: Declaro aberta, a partir deste momento, guerra com o senhor "não me toques que me desafinas". A minha guerra prende-se por fazer a melhor apresentação de trabalho que ele já teve e oportunidade de assistir na próxima sexta-feira e por seguir a especialidade de Cardiologia . Tudo bem, já estou a exagerar, mas adorava ter o prazer de chegar à beira dele daqui a 10 anos e esfregar-lhe na cara um "Tome lá, deu-me zero no segundo ano de Medicina, e agora olhe lá para mim toda importante nesta especialidade."

Espera por mim, Cavaco, tu espera...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Domingos em família

Ai! A vontade de escrever é tanta, e há tanto para vos contar, mas o tempo é tão pouco...

Falo-vos agora dos meus últimos fins-de-semana: como já sabeis, são passados a estudar, e quando não tenho que estudar, o que é raro, aproveito para descontrair e dividir o meu tempo entre aqueles que, gentil e amavelmente, solicitam a minha companhia.

Porém, este último fim-de-semana terá sido o fim-de-semana mais estranho dos últimos tempos. Passei-o à volta de corações de porco. Sim, leram bem.

Não sei se já aqui vos disse (provavelmente não porque faz mais de um mês que aqui não vinha), mas entretanto arrumei com Imunologia, Aleluia!, e iniciei-me no mundo da Cardiologia e do Sistema Respiratório, mundo esse muito mais lindo e maravilhoso que muito me apraz. Toda a minha felicidade é, contudo, destruída, quando me lembro que ainda vou ter que estudar tudo de Imunologia para o belo do exame no dia 6 de Janeiro. Adeus querido Natal, foi bom conhecer-te...

Mas bem, dizia eu (e desculpem se me vou perdendo, que as novidades são tantas e nem sei por onde começar) que, de momento, estou a estudar a Sistema Cardio-Respiratório. E como seria de esperar, qualquer estudo que envolva Anatomia que se preze, não pode deixar de ter aulas práticas onde pomos a mão na massa. Quero com isto dizer mexer em corações, abri-los, estraçalhá-los todos (nem sei se esta palavra existe) com bisturis e tesouras de poda e, como não poderia deixar de ser, sentir o cheirinho a talho que dele emana. Mais ainda, Anatomia que se preze tem exame oral acerca do coração.

Por isso, este fim-de-semana, pedi à melhor mãe do mundo, a minha, que me fosse ao talho comprar um coração para eu estudar e fazer umas experiências lá em casa. Mas este coração teria que cumprir os requisitos anatómicos mínimos para ser alvo de estudo. Por isso foi ver a minha mãe a pedir ao senhor talhante que lhe arranjasse um coração de jeito, não destruído, vindo de um porco com saúde.

O diálogo que se seguiu em casa com o meu pai foi mais ou menos assim:

Pai: Compraste um coração? Vais comer isso?
Eu: Não, vou estudar.
Pai: Ah... Mas isso não é humano pois não??? (Medo a apoderar-se visivelmente dele)
Eu: Não, é de porco.
Pai: (com ar confuso) Está bem...

Entretanto lá calcei as luvas e comecei a montar o estaminé em cima da mesa da cozinha: coração numa bacia aqui, um prato acolá, panos, facas e afins.

Pai: Tu não vais fazer isso aqui na mesa da cozinha pois não?! Nós comemos aqui!
Eu: Há quem aprecie comer coração... Queres que vá para a casa de banho ou para o teu quarto?
Pai: (após momento de silêncio e com cara de enjoado) Chamem-me quando a cozinha estiver livre, nem quero pôr mais os pés aqui.

Entretanto, e durante esta cena toda, a minha mãe estava na outra ponta da cozinha, alegremente a passar a ferro, como se fosse a coisa mais normal do mundo ter uma filha a dar uma de cientista louca enquanto enfia o nariz dentro de um coração na cozinha.

Adoro os Domingos em família.

sábado, 19 de outubro de 2013

Gestão de faltas

Gerir as faltas que damos às aulas é uma tarefa pela qual todo e qualquer estudante universitário já passou.

Esta tarefa agrava-se se formos estudantes deslocados, e mais ainda, se, para além de deslocados, estamos numa faculdade onde as aulas teóricas não são opcionais, como na maioria das faculdades, e podemos dar apenas um número mínimo de faltas.

Na minha faculdade, temos um método ligeiramente diferente do das outras faculdades: não há dois semestres, mas sim três trimestres, e a organização das aulas e exames é também bastante diferente, coisas chatas que para aqui não são chamadas agora. Chamam-lhe eles um método revolucionário de ensino, algo nunca antes visto, blá blá blá. Para mim é só mais uma desculpa para me obrigarem a ir a aulas que, arrisco a dizer, 80% das vezes são absolutamente inúteis.

Pois bem, dizia eu que a tarefa de gerir faltas é muito complicada. E é.

Cada vez que é introduzida uma disciplina nova, é ver-me a contar as aulas, a sacar da máquina calculadora e a avaliar quantas vezes posso faltar e como posso distribuir essas faltas.

"Ora bem, nesta semana só tenho um dia de aulas, vou faltar".

"Portanto, neste dia, X faz anos e quer fazer um jantar, logo preciso de vir mais cedo, não vou a esta aula".

"Está a chegar o fim do ano, estou-me borrifando para aulas, simplesmente não vou".

Estes são alguns dos planos que eu passo a vida a fazer e a organizar na minha cabeça. Umas vezes resultam, outras vezes saem furados.

Para além disso, para além das X faltas injustificadas que podemos dar, ainda podemos sempre dar mais algumas, desde que justificadas. É ver-me a correr desenfreadamente de vez em quando para o Centro de Saúde a inventar doenças só para conseguir uma justificação (mas isto fica entre nós, que eu não quero que o meu segredo seja exposto).

Por isso, gente que ainda está no Secundário, escolham uma faculdade que tenha o curso que vocês querem mas que não vos obrigue a ir às aulas teóricas chatas às 8h da manhã.

Conselho de amiga.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A primeira autópsia

A primeira vez que fui ver uma autópsia foi um dia verdadeiramente marcante na minha vida como pessoa, e um dos dias que marcarão o meu período académico (que lamechas).

O ano passado, durante o período que tivemos Anatomia, um dos professores da cadeira era médico legista no hospital cá do monte. Ora, como as pessoas cá do sítio, apesar de muito saudáveis também morrem, que isto não há cá excepções à lei da vida, autópsias são necessárias para dar o devido esclarecimento acerca da causa da morte do defunto à respectiva família.

Assim, e durante uma aula, está o professor na sua pose magistral, com os óculos bem na pontinha do nariz, quando recebe uma chamada a pedir a sua presença na morgue para uma autópsia a um senhor que, coitado, tinha caído morto no meio da rua no dia anterior. Eis que o senhor tem a brilhante ideia de nos perguntar se queremos ir e nós, armados em doutores num hospital tipo o de Anatomia de Grey, fomos a correr buscar as batas e voar para a morgue do hospital.

Lá nos equipamos devidamente, com máscara, luvas, bata, touca e uns outros adereços muito engraçados cor de burro quando foge, também conhecido como verde cirúrgico, igual àquele que vemos nos filmes. E que animação que foi, sentimo-nos mesmo como se estivéssemos a reviver uma daquelas séries famosas: ER, House, Anatomia de Grey, Scrubs...

O momento mais marcante foi, seguramente, quando entrou o cadáver na morgue. Não podendo revelar detalhes (que isto do sigilo é uma coisa muito à frente), aquela autópsia foi, como dizer, no mínimo chocante em todos os aspectos.

Meus amigos, uma autópsia é coisa que vocês não querem ver NUNCA na vossa vida. Garanto-vos, por experiência, que as coisas que se vêem, se sentem e, principalmente, se cheiram, são coisas que nunca se esquecem na vida. Falo a sério. Ainda hoje, se fechar os olhos, consigo recordar cada minuto daquele acontecimento, e consigo recordar, com muita clareza, todos os detalhes do corpo naquela mesa de metal.

Toda a autópsia foi, em termos de aprendizagem, fantástica. A sensação de se poder olhar para um corpo, um corpo a sério, a ser aberto pelas mãos mais conhecedoras da Anatomia Humana, é verdadeiramente formidável. Conhecer o nosso interior, ver que realmente somos feitos de vísceras todas lá embrulhadas e enfiadas, e também nós cheiramos mal, é soberbo, e é algo que, de facto, muda alguns dos nossos pensamentos.

O senhor, na casa dos 50, está um Domingo à noite a passear contente com a esposa, a caminho do café para ver o jogo do FCP, e algumas horas depois está na morgue, a ser esventrado e a fazer as delícias de 20 catraios curiosos que só querem ver as suas entranhas.

Desculpem o grafismo, mas realmente, é algo impressionante. Podemos ser tanto durante a nossa vida, e de um segundo para o outro, literalmente, não somos mais nada que um corpo inerte, sem vida, morto, acabado. Um monte de carne naquilo que, para mim, não é mais do que um talho humano. E é assim que os corpos são tratados lá.

Tive a ousadia de perguntar ao técnico de Anatomia Patológica se aquele trabalho não lhe fazia confusão, se não o impressionava. E ele respondeu-me que aprendeu a olhar para os corpos como se de um animal se tratassem, e aprendeu a desligar as emoções cada vez que entra naquela sala para descobrir o que matou mais uma pessoa. Porque, para ele, aquilo não são mais pessoas.

Pesado, hã?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

2º ano

Como já devem ter percebido, o segundo ano chegou. Em força. Assustadoramente aterrador, pior que Belzebu em dia de azia.

Em meia dúzia de dias de aulas já estudei o suficiente para querer ir para a cama e não sair de lá nunca mais, enrolar-me nos cobertores em forma de concha e pedinchar mimo à minha mãe, como se estivesse doente e com 41º de febre.

Começamos o ano com Imunologia e Psicologia. São coisa giras, aliás, muito giras, e dava tudo para trocar o primeiro ano inteiro por duas semanas disto (Sistema Nervoso, ainda me estás aqui entalado), mas a quantidade de trabalho que isto dá é inversamente proporcional à minha paciência e vontade de manter a minha performance académica

A parte boa é que o tempo parece continuar a correr e que, neste fim-de-semana que passou, fui tratada como se fosse uma rainha: mimos suficientes para 1 ano, paparoca da boa preparada da minha mãe porque eu, coitadinha, fiquei logo com saudades da comida dela depois de três dias fora, todas as minhas necessidades atendidas como se eu fosse um qualquer sheik do Dubai como todas as mordomias à minha disposição. Disto é que eu gosto.

Sexta-feira, para variar, já tenho dois exames, porque vida-da-boa-durante-o-início-de-aulas é coisa que esta Universidade não conhece e se recusa a deixar-nos aproveitar, por isso, tomem lá dois exames para ficarem em casa a estudar enquanto lá fora está calor para ir à praia, os caloiros andam felizes e contentes a conhecer o estaminé e a ir a todas as festarolas e mais algumas, e tudo à vossa volta continua a gritar FÉRIAS, coisa que vocês sabem que efectivamente ACABOU.

A todos aqueles que já começaram as aulas mas ainda não têm práticas e as teóricas não são obrigatórias, congratulo-vos e invejo-vos feiamente. Àqueles que ainda estão de férias idem aspas. Aos meus colegas desta faculdade que sofrem tanto como eu, juntem-se à minha tristeza e pensem que o curso vai acabar depressa!

domingo, 8 de setembro de 2013

...

E o que mais custa não é voltar, é ver todos aqueles que não voltam comigo.

Não custa voltar à rotina de faz mala, desfaz mala, corre para aqui e para ali; custa sim ver todos aqueles que, finalmente, atingiram o seu sonho e nos deixam, assim sem aviso, sem notificação prévia, sem acção de despejo, sem 30 dias de avanço, para nos prepararmos que agora vamos enfrentar este ano sem aqueles que nos eram mais próximos.

A todos os que se vão e me deixam, sabendo que, mais um ano, não atingi o meu objectivo, fiquem sabendo que, sem os poucos de vós que me eram mesmo próximos, a coisa não vai ser a mesma! E que sejam felizes onde eu ainda não fui. Este ano perdi 30 de vocês.

E agora vou só até à Covilhã mais um ano...

sábado, 7 de setembro de 2013

Há coisas que doem...

Nota do último colocado este ano na FMUP: 18,1 valores;

Nota do última colocado este ano no ICBAS: 18,08 valores;

Nota que eu tinha quando fui colocada no monte: 18,2;

Ah f*da-se...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Que m*rda é esta, karma???

Eu pedi, eu implorei, eu rezei e fiz uma macumba, mas ninguém me quis ouvir, ou então acham muito engraçado gozar com a minha cara e fazer-me sofrer SEMPRE na última semana de férias.

Ia eu hoje, descansadinha da vida, apanhar um comboio em Campanhã para passar um rico dia quando, não sei bem como nem porquê, as escadas rolantes resolveram atacar-me. Tropecei duas vezes e fiz uma sucessão de quatro cambalhotas à retaguarda seguidas, e só parei no fundo das escadas com um mar de gente à minha volta aos gritos e a chamar pelo INEM.

Resultado: parece que fui atacada por um urso, tenho as impressões digitais (leia-se riscas) das escadas tatuadas no corpo todo, acho que o ombro foi efectivamente deslocado desta vez, e o estado das minhas pernas é tão lastimável que me recuso nos próximos dias a ir para a praia.

OBRIGADINHA,  A SÉRIO, MUITO MUITO OBRIGADA.

Vou fazer o que me sugeriram no último post e declarar o estatuto de deficiente, física e especialmente mental. Dá regalias para entrar na faculdade! Assim pode ser que consiga sair do monte e viva os anos vindouros em paz.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Maleitas

Quando fui para a Universidade pela primeira vez, faz agora 4 anos, tinha sido submetida a duas cirurgias durante o Verão. Cheguei à faculdade e causei logo boa impressão: parecia uma grávida de 25 meses e a minha locomoção estava gravemente diminuída. Para além disso, andava de calças de fato-de-treino altamente inestéticas, o que foi fantástico para a minha reputação.

Quando mudei de curso e de faculdade, pensei "Desta vez não vou fazer figura de ursa e vou causar a melhor impressão possível". Uma semana antes de começarem as aulas parti um dedo do pé. Fui para o monte de muletas e com um dedo com uma tala, transpirando beleza por todo o lado, logicamente. Uma vez que era muito difícil subir e descer o monte com tais adereços, no segundo dia livrei-me das muletas, então andei um mês a mancar e a cambalear, o que, como é óbvio, me tornou a miúda mais fixe da faculdade. Todos queriam a companhia da croma manca com uma batata no pé. Ou não.

Hoje pensei que tinha deslocado um ombro na natação quando um senhor, em contramão e com um péssimo sentido de orientação, quase me arrancou um braço.

Senhores das maleitas, se é que existem, POR FAVOR deixem-me começar este ano lectivo em paz!

Muito agradecida.

The Final Countdown

Daqui a uns dias estou de volta àquela que, não sendo a minha segunda casa, o é, na verdade. Por isso, nestes últimos dias tenho tentado, de forma desesperada e sôfrega, agarrar-me a todos os segundos que posso aproveitar, como se a minha vida dependesse disso e nada mais fizesse sentido.

Estas férias passaram depressa. Depressa demais. Deixo tanto por fazer, tanto por ver, tantos filmes para ver e livros por ler. Deixo novamente os meus amigos sem cumprir todos os jantares prometidos, deixo a minha praia e o meu quarto, que nas últimas horas fica cada vez mais confortável.

À medida que o tempo passa só fica mais difícil sair mais um domingo à noite de casa e saber que só se volta na quinta ou sexta-feira a seguir. 

E depois começamos a pensar em todas as coisas que vamos perder nas próximas semanas: Amiga X faz anos dia 23 - não estou cá; Amigos vão fazer jantar de ano na primeira semana de aulas - não estou cá; Mãe vai à consulta de neurocirurgia - quero ir, mas não estou cá; Avó vai fazer uma cirurgia - não estou cá. Concerto no coliseu em Novembro - não estou cá. EU faço anos e não sei se estarei cá...

E estas coisas pesam. Não tanto pelo estar fora, mas por saber aquilo que estou a perder. E eu sei que devia mudar a atitude, pensar que é uma oportunidade, é o futuro, mas não dá.

Tento pensar que o tempo passa depressa, e passa, que o próximo fim-de-semana vai chegar rápido, que vai. Mas aí chegamos à conclusão que o tempo passa depressa demais, e que aquilo que queremos aproveitar rapidamente desaparece e dá lugar a mais responsabilidades e a mais uma semana de trabalho árduo.

Às vezes penso se vale a pena o esforço, se não teria sido melhor ter ficado em Medicina Dentária, na paz dos anjos. A ambição é lixada... Quero pensar que vale a pena.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Coisas que gosto... #4

Uma das coisas que gosto nisto de estudar longe é ter dois quartos.

Dois quartos equivale ao dobro da diversão no que toca a decorações e afins. E isso é uma coisa que eu gosto, que eu sou cá das ciências mas também tenho algures escondida em mim uma veia de artista prestes a ser explorada.

Já aqui vos disse que este ano mudei de quarto. Continuo na mesma casa, mas mudei-me para o quarto da ponta, onde reina o sossego e toda a paz que eu tanto gosto. O quarto é bastante maior, pelo que me deparei, após a mudança, com uma tela em branco, tal o potencial decorativo do meu futuro ninho.

Assim, na sexta-feira agarrei na minha mãe e fomos passear para o IKEA. Nunca me pareceu tão bonito. Subitamente, um novo mundo se abriu diante de mim, com infinitas possibilidades de decoração que nunca antes me tinham passado pela cabeça. De repente, tudo me parecia útil e passível de ser adquirido porque, mesmo que comece a acumular coisas, há sempre espaço para mais uma velinha, uma moldura ou outra coisa qualquer terminada em -inha. E assim lá fomos nós as duas explorar os corredores intermináveis na loja que prega pelo "faça você mesmo". Não costumo comprar mobília no IKEA, mas confesso que compro imensa coisa para decorar, e arranjo sempre coisas que adoro. Desta vez saí de lá com uma base para a secretária, uns pins para o quadro magnético e uma velinha para perfumar o espaço. Parece pouco, mas garanto-vos que caminhei muitos quilómetros, e investiguei tudo e mais alguma coisa: tapetes, lençóis, almofadas, cortinas e outros que tais. E ainda lá hei-de voltar para pôr as unhas nuns tapetes que andei a mirar e me piscaram o olho sem a minha mãe ver.

A desvantagem de ter dois quartos, no entanto, é ter também o dobro da limpeza para fazer e do trabalho a arrumar. Porque isto é tudo muito bonito andar a embelezar tudo e mais alguma coisa, mas depois quem limpa? Pois. Eu. Claro.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Leituras

A faculdade tirou-me a vontade de ler.

Até ao passado ano, ler era comigo. Ia tudo: literatura da pesada, da mais fraquita, romances, policiais, portugueses, estrangeiros, enfim, ler nunca foi um problema. E ao contrário do que vejo a maioria das pessoas fazerem (corrijam-me se estiver errada), nunca deixei as leituras leves para o Verão. Pelo contrário, sempre optei por deixar os livros mais pesados para a altura do Verão, que assim não tenho a cabeça tão ocupada com coisas da escola e posso concentrar-me mais nos livros que assim o exigem.

Mas este ano foi diferente, e a tragédia abateu-se sobre esta mente, outrora tão culta e dedicada, tornando o meu cérebro do tamanho de, sensivelmente, uma ervilha. A vontade de ler foi-se. Sumiu. Desapareceu. Ardeu no inferno e não voltou. E isto é triste, meus amigos.

Desde Setembro (de DOIS MIL E DOZE) li TRÊS livros, dos 2089 que tenho na minha lista de leitura, que vai sendo constantemente renovada (ultimamente só tem crescido, porque não há maneira de dar vazão a tanto livro que vou acrescentando). Isto é grave, é triste e absolutamente deprimente.

Um dos meus planos no Verão é sempre ler. Ler muito e ler com qualidade. Desde o início de Julho li pouco mais de 100 páginas de um livro. E tenho mais três, de peso, à espera na mesa de cabeceira: Gabriel Garcia Marquéz, Charlotte Brontë e Carlos Ruiz Zafón. Por este andar, desconfio que vou chegar ao fim do curso e eles ali, com uma bela camada de pó em cima e manchas castanhas típicas de livro velho que não é tocado desde o século passado.

A culpa é da faculdade! Obriga-me a ler o ano inteiro e depois dá nisto.

Se alguém souber de uma farmácia onde se compre paciência e vontade de ler agradeço que me informe. Com urgência. Obrigada.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Litros de Sangue

Vocês não me conhecem assim tão bem, mas posso dizer-vos que apesar de toda esta malvadez que faço transparecer por aqui, eu até sou boa menina e gosto de ajudar os outros (mas só as vezes).

Quando fiz 18 anos, o que já vai há uma eternidade, decidi que ia dar sangue. Depois acobardei-me um bocado e quando lá fui pela primeira vez inventei uma doença qualquer que tivesse tido na última semana para o questionário e fui recusada como dadora. Coloquei o semblante mais desolado que consegui, embora por dentro estivesse a esfregar as mãos de felicidade e a proferir um riso maléfico, e vim embora. Cheguei a casa e a minha consciência resolveu dar sinais de vida e dizer-me que era imperdoável a minha má acção e conduta. Lá andei a matutar no assunto, a fazer investigação ao tamanho das agulhas, às litradas de sangue que ia perder, quais os efeitos secundários e se alguém alguma vez tinha morrido no decurso de uma generosa dádiva de sangue, e comecei a preparar-me mentalmente. Posto isto, e depois de ter concluído que eram mais macaquinhos no sótão do que outra coisa, enchi-me de coragem e lá voltei umas semanas depois.

Correu tudo muito bem da primeira vez que fui dar sangue, embora tenha uma história engraçada sobre o que aconteceu depois, mas isso fica para o outro post. A partir daí tornei-me dadora de sangue, pelo menos até chegar ao segundo ou terceiro ano deste curso, altura em que me vão recusar por ser estudante de Medicina (Oi?). Não custa nada, é só uma pica e ainda saímos de lá com um lanchinho à pala (que ninguém nos quer ver a falecer depois de sair) e com menos para aí meio quilito em cima da balança. Só vantagens.

Assim, e porque acho importante sermos dadores de sangue, venho partilhar convosco este evento:



Amanhã, dia 16, irá decorrer no Marshopping, em Matosinhos, uma dádiva de sangue e inscrição para a base de dados mundial de dadores de medula óssea, bem pertinho de minha casa. Eu, em princípio, passarei por lá, não para dar sangue, porque dei em Junho, mas para me inscrever na base de dados de dadores de medla, coisa que há muito quero fazer, mas ainda não tinha tido disponibilidade. Isto é, se não me recusarem. Podem ver mais informações aqui.

Dar sangue é importante. O sangue é um dos componentes biológicos que só pode ser obtido por recolha directa de outra pessoa, e portanto, é nosso dever contribuirmos com o nosso bracinho e um pouco do nosso tempo. Fácil, rápido e eficaz, não custa nada!

Se não puderem ir amanhã mas tiverem ficado interessados em iniciar esta nova etapa da vossa vida, podem sempre consultar o site do IPST e informar-se de todos os sítios onde podem dar sangue, aqui. Existem também campanhas de dádiva em unidades móveis (uns autocarros cheios de pinta, com umas macas bem confortáveis, consultório todo XPTO, um mimo, digo-vos!), por isso é só quererem! E não arranjarem desculpas como eu...

Boas dádivas!


terça-feira, 13 de agosto de 2013

As minhas queridas boleias

Muita gente me pergunta como é que é possível eu conseguir vir a casa todas as semanas, uma vez que moro a sensivelmente 265km do monte. Alguns pensam que eu sou a WonderWoman, outros simplesmente desconfiam das minhas capacidades académicas e assumem que deixo o estudo para último plano só para vir dar uma curva. Errado *inserir som daqueles mesmo irritantes que dão nos concursos de televisão quando alguém erra alguma pergunta que lhes poderia valer 3000€*.

Primeiro de tudo: seria inconcebível, para mim, não tentar vir a casa o máximo de vezes possível. Já aqui vos disse aí umas trinta vezes que adoro demais a minha vidinha à beira da praia, e portanto, passar 15 dias sem pôr a vista em cima das minhas Caraíbas privativas não é opção.

Segundo: Eu não gosto do monte, assumidamente. E se há colegas que não se importam de ficar lá 1 mês ou o que seja seguido, eu não sou assim. Os meus amiguinhos do coração estão aqui, bem como os meus pais e todas as pessoas de quem gosto.

Terceiro: Não sei se já vos disse, mas antes de ter ido para o monte, estive na faculdade noutro curso no Porto. E portanto, aproveitei tudo de bom que aquela academia teve (e tem) para me oferecer. E (desculpem pessoas que adoram o monte, nada contra, atenção!) quem por aqui passou não quer mais nada. Por isso continuo a vir praxar os caloiros da minha antiga casa e a participar no máximo de actividades que consigo.

Assim, e de modo a satisfazer as minhas necessidades básicas de sobrevivência, tento vir todas as semanas a casa. Eu quero lá saber se são mais de 500km ida e volta, eu até gosto de passear. Este ano consegui fazê-lo todas as semanas, para o ano é que vai ser mais complicado. Para não pensar muito no assunto e tentar relaxar já comprei um tapete de ioga e saquei uns vídeos que me vão permitir ultrapassar 15 dias (ou mais, se necessário) no monte. Depois preocupo-me com isso. 

Mas, e dizem vocês muito bem, isto de fazer viagens longas tem muito que se lhe diga. Não é de ânimo leve que uma pessoa se enfia num autocarro para fazer uma viagem de 3 ou 4 horas, conforme o trajecto e o peso do pé do motorista.

Por isso, e há que louvar a faculdade e a associação de estudantes quando merecem, a AE lá do sítio criou um banco de boleias no seu site. Para além disso, existe ainda uma página de facebook "Boleias de/para o Monte" (não com este nome, como é lógico), que já se encontra na barra de favoritos do meu computador, logo ali em lugar de destaque que eu não quero perder nada. A ideia é, como já devem ter percebido, promover a partilha de uma viatura, dividindo as despesas entre todos, e conseguir fazer uma viagem mais rápida, cómoda e acessível. Ainda por cima, como sou de uma cidade onde existem muitos estudantes deslocados como eu, é relativamente fácil encontrar alguma alma caridosa que me leve a mim e aos meus 327kg de mala pelos caminhos tortuosos da A1, A25 e A23. Amén.

Como é óbvio, pode e com certeza haverá riscos. Mas para isso existe também o bom senso. Tento sempre vir com pessoas do meu curso, que conheça ou pelo menos já tenha visto (só para lhes tirar a pinta, claro), a horas decentes, etc e tal. A história do costume. Até hoje, só me deixaram ficar mal uma vez. Depois vamos marcando o nosso lugarzito, arranjando boleias fixas, e a coisa até se faz mais ou menos bem. Pelo menos eu já estou habituada.

E assim se sobrevive a mais uma semana, sempre na expectativa de entrar num carro conhecido e arrancar a todo o gás para casa. E que bem que sabe começar a ver as placas a dizer Porto. E que bem que sabe passar pela ponte do Freixo e ver aquela maravilhosa paisagem da Ribeira, ali à minha espera para me oferecer mais uma bela noite com os meus amigos.

Que bem que sabe chegar a casa.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

As férias

Quando entrei de férias, a minha vida deixou de fazer sentido.

Nos primeiros tempos, o facto de não ter que estudar todos os dias, ou simplesmente não ter que olhar para os grandes calhamaços de Anatomia ou Sistema Nervoso todos os deixaram um vazio no meu coração. Por boas razões, como é óbvio. Ainda assim, o ajuste a esta vida de ócio temporária foi um pouco turbulento de início.

Passado o choque inicial, uma questão assolou a minha cabeça: o que é que eu vou fazer estas férias?

Comecei imediatamente uma lista de tarefas. A saber:

1. Ir a sítio X, Y e Z com o namorado;

2. Ir à praia sempre que possível;

3. Ir de férias com os pais;

4. Colocar a minha cultura cinéfila em dia;

5. Ver 3 ou 4 séries que tenho aqui empatadas no computador há uns mesitos;

6. Ler os 3 livros que estão ali na mesa de cabeceira;

7. Fazer jantaradas e apanhar umas bebedeiras com os amigos;

8. Fazer uma arrumação geral e profunda ao meu quarto;

9. Jogar Sims (sim, tenho um problema grave com este jogo);

10. Não pensar no monte até Setembro.

Tudo isto parece perfeito, e na verdade até é, mas só até eu me aperceber que AS FÉRIAS NÃO CHEGAM PARA FAZER ISTO TUDO.

Posto isto, em vez de aproveitar todos os segundos até à exaustão, por vezes dou por mim a deprimir e a pensar em tudo o que não posso fazer. Burrice extrema, nada a que eu não esteja habituada.

Apesar disto tudo, considero que estas férias, para já, estão a ser bastante produtivas. Talvez por saber que agora o tempo aqui passado é limitado. Curioso como colocamos a nossa vida em perspectiva quando alguma coisa muda de forma radical.

Por isso, este verão já:

1. Fiquei mais morena do que alguma vez na minha vida;

2. Passeei mais do que em algum outro Verão;

3. Vi mais filmes e séries do que noutra altura;

4. Ouvi muita e boa música;

5. Diverti-me como há muito não o fazia.

Por fazer ainda está a arrumação (bleh), por razões óbvias... Se me quiserem ajudar, sejam muito bem-vindos!

E agora, com licença, vou aproveitar mais um pouco a vida.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mudanças

A Princesa saiu lá de casa (obrigada, Deuses dos estudantes!), o que foi motivo para festejar durante 3 noites seguidas, do género de um casamento cigano. Ora, eu afinfei logo o quarto dela à senhoria, por várias razões: é maior, não se ouve tanto barulho e eu gosto do meu canto e da minha privacidade.

Assim sendo, na semana de férias dos meus pais, lá fui eu para a terra maldita outra vez. Nem nas férias me livro daquele sítio. Ele foi transportar livros de um lado para o outro (e são muitos, vocês sabem), fazer e desfazer camas, levar roupas, lençóis, toalhas e outros que tais de um lado para o outro. 7h, 500 kilómetros e muitas dores de costas depois, lá voltei ao meu canto predilecto, a minha verdadeira casa.

Surge agora outra questão. Embora eu, assumidamente, não gostasse da Princesa, por muitas e variadas razões, a verdade é que tenho um pouco de receio da futura colega de casa. Ficam alguns dos cenários possíveis, bons e maus:

1. É uma nova aluna, que vai para o primeiro ano, simpática, querida e amigável, que não faça muito barulho e que queira, efectivamente, estudar e estar na paz do Senhor. Ouvirá todas as minhas recomendações e ficará debaixo da minha asa enquanto eu, maravilhosa colega de casa, lhe passarei todos os ensinamentos e mostrar-lhe-ei o que é viver em comunidade;

2. É uma nova aluna, que vai para o primeiro ano, mas que está ansiosa por sair de casa e vai achar que a sua nova casa se assemelha a um bordel. Festanças pela noite dentro, bebedeiras e jantaradas, noites sem dormir. Prevê-se que não passe do primeiro ano (acreditem que há muitas assim);

3. Aluna actual da faculdade, cansada das terríveis colegas de casa, que finalmente consegue encontrar uma casa onde reina a paz e o sossego. Compincha e conviva, está disposta a emprestar-me os seus apontamentos dos anos anteriores. Desvantagem: vai acabar o curso primeiro do que eu, e portanto a história repetir-se-á, com novas colegas de casa e os mesmos problemas de agora;

4. Aluna actual da faculdade, cansada das terríveis colegas de casa, que não a deixam fazer as jantaradas e festarolas a que todo o estudante universitário tem direito. Assim, anda a pinchar de um ano para o outro de casa em casa, na esperança de encontrar colegas tão ou mais pifadas do capacete do que ela. Desvantagem: já reprovou algumas vezes, nunca mais vai acabar o curso. Consequentemente, quando já não a aguentar mais, lá vou ter que pegar nas trouxas e mudar eu de casa, para bem da minha sanidade mental;

Dramas à parte, a minha senhoria pediu-me, encarecidamente, que envie um e-mail para os alunos com a informação de que se aluga um quarto.

Ainda não o fiz, estou a ganhar coragem.

domingo, 4 de agosto de 2013

Coisas que gosto... #3

Ter descoberto esta pequena maravilha! Não que eu me identifique com tudo o que está lá escrito, porque o autor está para aí no quarto ano. Mas é engraçado ver o que me espera. Ou talvez não.

Especial atenção para este post aqui.

Balanço do primeiro ano

Primeiro ano de Medicina: Concluído;

Cadeiras deixadas para trás: 0 a.k.a ZERO a.k.a "Sou mesmo inteligente";

Cadeira preferida: Sistema Locomotor (ou Anatomia do Sistema Musculo-Esquelético);

Cadeira preterida: Sistema Nervoso (o que só reafirma a minha convicção de que nunca irei para Neurologia, Neurocirurgia e afins. Nunca serei a Dra. McDreamy e tenho muito orgulho disso. Não obstante, aprendi coisas muito giras);

Horas desperdiçadas: Muitas, impossíveis de contabilizar;

Horas passadas a estudar: Infinitas ao cubo;

Professor/a preferido/a: O de Biofísica (já não me lembro do nome do senhor, mas era espectacular)

Professor/a preterido/a: O de Estatística *incluir simulação de vómito*

Professor/a mais giro/a: Nenhum

Professor/a mais feio/a: Para minha segurança, é melhor não comentar. Mas se tivesse que escolher, decididamente o de Estatística. Tudo nele é feio. Até eu fico feia na presença dele. (Agora mais a sério, talvez o de Anatomia. O senhor é um amor, mas é feio que dói).

Amizades criadas: Algumas para a vida :) ;

Inimigos criados: O professor de Estatística;

Noites + Saídas: Poucas, mas boas;

Avaliação das Noites + Saídas: Hepaticamente Destructivas;

Avaliação do monte, de 0 a 10: 6,5 (está fraquinho, esperemos que para o ano melhore);

Vontade de voltar em Setembro: -20;

Vontade de aprender coisas giras em Setembro: +20;

Vontade de vos contar estas coisas: +50.