sábado, 19 de julho de 2014

O 3º ano

O 2º ano mal acabou e eu só me consigo concentrar no terceiro que aí vem. Defeito meu, que sofro por antecipação, que me preocupo com as coisas que só vão acontecer daqui a muito tempo.

O terceiro ano é assustador. Desde que cheguei a esta faculdade que não houve um único dia em que não tenha ouvido discursos do género:

"Espera até chegares ao terceiro ano";
"O terceiro ano é que é f*dido";
"Se te preocupas assim agora, quando chegares ao terceiro atiras-te da ponte";
"Quanto tiveres que estudar os fármacos todos vais ficar tola";

Queria conseguir desligar, com a certeza de que, se outros já o fizeram antes, também eu sou capaz. Afinal, eu já concluí, com sucesso, dois anos do curso de Medicina. Caramba, isso deve querer dizer que, afinal, não sou assim tão burra quanto penso.

Mas depois olho para as estatísticas e verifico que 1/4 do actual terceiro ano chumbou. Bons alunos, alguns até, provavelmente, melhores que eu, que enfrentaram o monstro e não venceram, foram comidos vivos pelas negativas, pelas reprovações, pela vergonha que é ter que assumir "Eu chumbei". E sinto-me pequenina, ansiosa, assustada, sem vontade de enfrentar o que aí vem e ficar de férias para sempre.

Que medo que tenho.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre o Verão

Quando acabam as aulas e começam as férias, eu fico com uma sensação de vazio dentro de mim, como se a minha existência deixasse de fazer sentido. O ritmo que nos é imposto desde Setembro, os testes e sessões de estudo em catadupa, as horas intermináveis sentadas à frente da secretaria e toda a correria e stress dão lugar à paz, ao descanso, ao não ter que fazer viagens semanais, ao ócio, e que bem que isto sabe.

Este ano, contudo, ao contrário do ano passado, decidi que as coisas iam ser diferentes. No ano passado passei o verão inteiro a ressacar do estudo e a descansar o máximo que podia mas, chegada a Setembro, concluí, com muita tristeza, que não fiz nada do que me tinha proposto fazer durante o verão. Queria ter lido mais, visto mais filmes, passeado mais, feito exercício, mas acabei por passar o verão com o rabo alapado na areia ou no sofá, a vegetar e desculpando-me com o facto de que "este ano estudei muito, agora preciso de descansar".

Este ano vai ser diferente. Por isso não tenho actualizado muito isto aqui. Conto com apenas uma semana de férias, mas neste pouco tempo aproveitei para fazer exercício todos os dias, visitei restaurantes na baixa que estavam na lista, fui ao cinema, passei um dia fora da cidade, fui a praia quase todas as manhãs e iniciei a leitura de um livro de Saramago. Pelo caminho voltei desgraçadamente ao meu vício de teenager, jogar Sims (eu sei, vergonha, mas eu tenho um problema), e tenho ficado até às tantas colada ao computador. Não devo, bem sei, até porque já começo a sentir o efeito de ir dormir tarde e acordar cedo para ir à praia. Vou tentar não abusar tanto esta semana.

Cheira-me que este vai ser um verão em grande. Para já, estou entusiasmada. A ver se assim se mantém.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Balanço do segundo ano

Tal como fiz o ano passado, com o término do segundo ano chega a altura de fazer o balanço do mesmo. Fiquem então com o resumo daquele que foi, até agora, o ano mais cansativo da minha vida.

Segundo ano de Medicina: Concluído;

Cadeiras deixadas para trás: nenhuma (não sei se já vos disse, mas deixar uma cadeira para trás nesta faculdade significa chumbar de ano e ficar um ano inteiro a fazer a cadeira que falta);

Cadeira preferida: Bloco de Cardio-Respiratório;

Cadeira preterida: Bloco de Aparelho Digestivo (ainda detestei mais do que Nervoso no ano passado, imaginem lá);

Horas desperdiçadas: Não muitas, infelizmente este ano não tive muito tempo para procrastinar, coisa que adoro;

Horas passadas a estudar: Demasiadas. A má organização do ano implicou estudo no dia de Natal, dia de ano novo, Páscoa, etc. Acho, sinceramente, que não houve um único dia em que não pensasse nos livros, para minha tristeza;

Professor/a preferido/a: O Cavaco (pasmem-se! Mas acabei por desenvolver um certo afecto pelo senhor);

Professor/a preterido/a: Isabel Neto... (Nunca vos falei dela mas a mulher é simplesmente desprezível);

Professor/a mais giro/a: Nenhum. Constata-se que este ponto continua igual ao do ano passado. Cheira-me que continuará assim até ao final do curso, com grande pena minha;

Professor/a mais feio/a: Todos? Esta faculdade não prima, definitivamente, pela beleza dos seus docentes.

Este ano foi, como já disse várias vezes, cansativo, exaustivo, e por vezes emocionalmente complicado. Apesar de já andar nestas andanças há dois anos, por vezes uma pessoa vai abaixo, só quer ficar em casa e deixar de fazer estas viagens de 270km todas as semanas. Esta vida itinerante não é fácil, mas gosto de pensar que já só faltam 4 anos e que o pior já passou.

Aguarda-me o terceiro ano, aquele que todos temem, o ano da morte, dos reprovanços em massa, das quedas de notas a pique, do "salve-se quem puder".

Por agora vou aproveitar as férias, descansar, e em Setembro logo se pensa nisso.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Coisas que gosto... #6

Eu sou uma pessoa que adora comer. A minha vida é vivida em função da minha próxima refeição e eu até acho que sou um bom garfo. Como de quase tudo, só não gosto de tripas, iscas de fígado e kiwis. Não sou picuinhas, portanto, e tudo o que vem à rede, neste caso ao prato, é peixe. Tragam-me uma feijoada, uma francesinha ou uma posta de bacalhau com todos, comigo vai tudo.

Gosto especialmente de fruta. Tenho vindo a melhorar os meus hábitos de ingerir fruta todos os dias, e agora não há um dia que passe em que eu não coma, pelo menos, duas ou três peças de fruta. Excepto kiwis, coisa que detesto.

O que é que a fruta tem a ver com a Covilhã? Não muito. Tem mais a ver com o Fundão, em especial com as CEREJAS. E senhores, que boas que são as cerejas do Fundão! Gordas, sumarentas, rechonchudas, daquelas que pingam na camisola e a estragam para todo o sempre mas nós não nos importamos, que perdoamos o mal que fez pelo bem que soube. Nesta altura é ver-me a correr feita doida para a frutaria em frente à minha casa e a devorar as cerejas. Mas não só, ele é as cerejas, os figos, que também são bem bons, e tudo o que esteja colorido e reluzente na prateleira.

Descobri há uns tempos uma coisa ainda mais maravilhosa que tem vindo a estragar a minha dieta saudável de fruta. Como se já não bastasse a frutaria vender aquelas maravilhosas cerejas, agora durante o dia decidiram vender pastéis de cerejas quentinhos, acabados de fazer no seu forno. É isso mesmo, de vez em quando, a umas certas horas do dia, lá sai uma fornada de pastéis quentinhos e vermelhinhos a transpirar açúcar. O que eu me tenho desgraçado, na balança e na carteira, que a vida não está fácil e um euro por um pastel acho que até é um valor relativamente elevado. Mas eu perdoo, eles vêm quentinhos e são tão mas tão bons!





quarta-feira, 2 de julho de 2014

A minha vida é uma animação

Como já perceberam, tudo o que eu faço tem sempre alguma contrapartida. É a Lei de Murphy aplicada exclusivamente a mim, o karma da minha vida, não há nada que eu faça ou diga que não seja compensado no mesmo grau, mas negativamente.

Hoje fui fazer o exame, desta vez no dia correcto, à hora correcta. O exame correu bem, obrigada.

Saí do exame, com o tempo nublado, mas um calor tórrido de cortar a respiração, e dirigi-me para a subida a pique mais mortífera que conheço.

De repente, senti como se um balde de água gelada tivesse sido despejado sobre mim. Não foi, mas a diferença não foi muita. Às 15h30 em ponto ligaram os aspersores do jardim que existe à entrada da faculdade e eu, que por lá passava, levei um valente banho e ainda ouvi pessoas a rirem-se de mim.

Primeiro: Por que razão os aspersores estavam a regar a rua e não a relva, como é suposto?

Por fim: Quem é que rega a relva a meio da tarde, debaixo de um calor abrasador como o que está hoje? Ainda por cima estando nublado e com umas nuvens escuras a ameaçar chuva???