quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Primeiras reacções ao terceiro ano

A primeira semana foi calma, aliás, até já acabou e eu estou de volta a casa. Apenas duas apresentações e duas aulas de farmacologia preencheram esta semana. Foi uma forma leve de iniciar aquele que é conhecido como o pior ano do curso.

A partir de agora vai ser a doer, com muitas aulas, muitos testes, muita coisa para fazer e, sobretudo, estudar. Dizia-nos ontem a coordenadora durante a apresentação: "Meus senhores, o terceiro ano não é o bicho de sete cabeças que os vossos colegas vos pintaram... Mas é duro. Vai ser duro. Preparem-se.", tudo isto com uma voz muito sombria, que se esfumou no minuto seguinte quando nos deu uma receita de sopa, que nós nesta fase do campeonato vamos precisar de uma excelente nutrição, diz ela. Ainda foi simpática o suficiente para dizer que a receita que colocou no powerpoint era muito elementar, e até os caloiros do primeiro ano a conseguiriam fazer. Acrescentou ainda "Mas se os senhores quiserem cozinhar algo mais rebuscado, enfim, eu posso perfeitamente fornecer-vos mais algumas receitas com todo o gosto! Não podem é ser muito demoradas que os senhores não têm tempo para grandes cozinhados porque vão ter muito que estudar". A senhora tem umas piadas muito curiosas. Um dia destes ainda lhe ofereço um guisado.

Aproveitei estes dois dias para passear pelo monte e subir até à Serra da Estrela, apenas para concluir que não conheço nada daquilo e é verdadeiramente triste que seja o meu terceiro ano lá e não saiba sequer ir para o centro da cidade. Adiante.

Já gastei quase a mesada toda do mês de Setembro em livros e fotocópias, por isso podemos considerar que as coisas começaram bem. Insiram a ironia aqui.

Consegui realizar auto-controlo e estou estranhamente calmíssima, com o estudo organizado e sem grandes stresses. Este ano tenciono que corra ainda melhor que o segundo ano, que correu bastante bem e superou as minhas expectativas. Se, por ventura, nada disto acontecer e eu entrar em modo de destruição cerebral, pelo menos tenho o hospital psiquiátrico anexado à faculdade. Nem tudo é mau.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Não gosto do que vejo

As aulas começam no dia 8 e o horário está, lentamente, a ser publicado na intranet. Para já, não gosto do que vejo. Está ligeiramente melhor que o do ano passado, mas ter testes quase todas as segundas-feiras às 9h e aulas às sextas-feiras até às 19h e 20h é algo que não me agrada. Nunca passei um fim-de-semana no monte e assusta-me (muitíssimo) a ideia de que isso possa ser uma realidade tão próxima.

Modo manter a calma: activado (e não funciona).

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Só uma duvida

Por que razão a maioria dos meus colegas começam as aulas nos dias 15 e 22 de Setembro e eu já estou a dar no duro a partir de dia 8?

Eu ainda preciso de férias!

domingo, 17 de agosto de 2014

O médico que salvou a minha mãe

Achamos sempre que a tragédia não nos atinge, que a desgraça bate sempre à porta do vizinho. A nós, nada nos acontece. Aos outros, coitados, vai acontecendo.

Até que chega a nós. Quando menos esperamos, quando não achamos possível que suceda, o horror bate-nos à porta de mansinho. Tal como aqueles convidados ao Domingo à tarde que aparecem à nossa porta para lanchar e interrompem o serão da lareira e cobertores. Mas a tragédia, essa, não traz o lanche, não traz alegria, apenas tudo aquilo que "só acontece aos outros".

Eu já lhe abri a porta. Em 2012 a minha mãe teve um aneurisma. Rebentou. Inundou o cérebro dela de sangue, um cenário dantesco na TAC. Meses de internamento, comas, induzidos e não induzidos, cirurgias daquelas que achamos que só acontecem nos filmes. Um cenário perturbador, que ainda hoje me causa espécie quando nele penso.

A minha mãe sobreviveu. Sem sequelas. Apenas um aumento absurdo de dioptrias e uma diminuição de memória e concentração. Assim, como se nada lhe tivesse acontecido, sobreviveu. Ficou bem. Está bem. Está comigo.

Neste processo que durou meses vários médicos estiveram envolvidos, mas um em particular foi marcante e crucial no processo de recuperação. Esse médico é amigo da família há vários anos. Desde que me lembro que me encontro com ele, vamos tomar café, conversamos como amigos, mesmo com a diferença de mais de 30 anos entre os dois. Um verdadeiro amigo que ajudou a salvar a vida da minha mãe.

Hoje foi a ele que lhe bateram à porta. A filha, encontrada sem vida. Derrame cerebral. Pouco mais velha que eu. O horror. Fico sem palavras nestes momentos.

Este ano está particularmente devastador a ceifar vidas. Vidas de jovens, com tanto pela frente, como eu, como tantos outros.

Não é justo. A ele, a vida deixou de lhe sorrir. Não voltará a sorrir, sequer.

"Não sei o que vou fazer com a minha vida agora".

Não lhe soube responder.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Festival Meo Sudoeste

Começa hoje e eu estou em pulgas! Perdoem a falta de actualizações, mas este verão está a ser tão bom que eu quase não tenho tempo para vir aqui :)